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Planejamento & Análise Empresarial · Parte 2

Cadastrar Sem Errar

Tela por tela, campo por campo: o que é, de onde tirar o número, e o que quebra lá na frente se ficar errado. Na ordem em que se preenche pela primeira vez.

Zero

Antes de começar

Não comece pelo sistema. Comece juntando papel — porque cadastrar chutando é pior do que não cadastrar: você passa a confiar num número que inventou.

O que ter em mãos

O quêOnde conseguir
Balanço do último ano fechadocom o contador — é de onde saem os saldos de abertura
DRE do último anocom o contador
Lista de produtos ou serviços, com preço de vendasua tabela de preços
O que cada um custa — material, insumo, mercadorianotas de compra, ficha técnica se existir
Folha de pagamento, por áreao resumo da folha, ou o contador
Despesas fixas do mêsextrato bancário de um mês típico
Contratos de empréstimo e financiamentoo banco — precisa de saldo, taxa e prazo
Lista de máquinas, veículos e imóveiso controle de patrimônio, ou o contador

Parece muita coisa. Na prática, quem tem contador organizado junta isso em uma tarde — e é a única tarde difícil do processo.

Não precisa estar perfeito para começar. Estimativa razoável vale mais que campo vazio: o sistema calcula em cima do que tem e você refina depois. O que não pode é chute que você não sabe que é chute — por isso vale anotar, num papel, quais números você estimou.

Quanto tempo leva

Uma empresa pequena, com o material em mãos, leva de duas a quatro horas para o primeiro cadastro completo. Não tente fazer numa sentada: as telas de Premissas e Produtos pedem cabeça descansada.

A ordem das telas não é sugestão. Cada uma usa decisões da anterior.

Se você pular direto para Produtos sem ter definido o tipo de negócio na tela de Empresa, vai preencher campos que somem — e refazer.

Um

Empresa — a tela que muda todas as outras

O que esta tela decide

Duas escolhas aqui mudam o comportamento do sistema inteiro: o regime tributário decide como o imposto é calculado, e o tipo de negócio decide como a tela de Produtos funciona.

É a única tela que vale a pena revisar antes de seguir.

Identificação

Nome da empresa

O nome que aparece no topo das telas e no cabeçalho do Parecer do Conselheiro — o documento que vai impresso para a reunião. Use o nome pelo qual a empresa é conhecida, não necessariamente a razão social completa.

CNPJ, endereço, cidade, UF e CEP

Identificação, sem efeito em cálculo nenhum. Preencha porque documento de conselho sem identificação da empresa parece rascunho.

Regime tributário

Aqui você diz ao sistema qual conta de imposto usar. As três opções calculam de formas diferentes, e escolher errado não dá erro — dá um resultado plausível e falso.

Simples Nacional

O imposto sai de uma tabela por faixa de faturamento. Ao escolher este, a tela de Premissas passa a pedir o anexo e o faturamento dos últimos doze meses, e esconde as alíquotas individuais — porque no Simples elas não se aplicam separadamente.

Lucro Presumido

O imposto incide sobre um lucro presumido — uma porcentagem do faturamento definida em lei — e não sobre o lucro que a empresa de fato teve.

Consequência que quase ninguém antecipa: numa empresa de margem fina, o imposto pode ser maior que o lucro operacional. Não é erro do sistema — é como o regime funciona, e é uma das coisas que o app existe para deixar visível.

Lucro Real

O imposto incide sobre o lucro efetivamente apurado, com direito a compensar prejuízo de períodos anteriores. É o regime em que as alíquotas de IR, adicional de IR e CSLL da tela de Premissas fazem efeito completo.

Não escolha por conta própria

Regime tributário é decisão do contador, e mudar de regime tem regra e prazo. O campo aqui serve para informar qual é o seu, não para escolher um.

Se você não sabe, pergunte antes de continuar — todo o resto do cadastro depende disso.

Tipo de negócio

Esta escolha muda a tela de Produtos, e é a que mais gera retrabalho quando fica errada.

EscolhaComo fica a tela de Produtos
Comércio Cada produto tem preço de compra e de venda. Sem ficha técnica — você revende o que compra pronto.
Indústria Cada produto tem uma ficha técnica: a receita, com quantidade de cada insumo por unidade produzida.
Serviço Simples Cada serviço tem preço de venda e custo direto. Sem insumos — consultoria, aula, projeto.
Serviço com Produto Mesma ficha técnica da indústria. Para quem presta serviço consumindo material: salão, oficina, clínica.
O erro mais caro desta tela

Trocar o tipo de negócio depois de cadastrar produtos. O que foi cadastrado no modo anterior para de ser usado pelo motor — o produto continua na lista, mas os campos que o cálculo precisa ficam vazios.

O sistema avisa quando você mexe nisso. Leia o aviso.

Na dúvida entre Comércio e Indústria: a pergunta é se você transforma. Se o que você vende sai do caminhão do jeito que vai para o cliente, é Comércio. Se você monta, corta, mistura ou fabrica, é Indústria — mesmo que a empresa seja pequena.

Logo da empresa

Logo

Aparece no cabeçalho do Parecer do Conselheiro, que vai impresso para a mesa. PNG horizontal com fundo transparente é o que fica melhor.

Entre 200 × 60 e 1200 × 400 pixels, até 400 KB. Abaixo do mínimo o sistema recusa — e recusa por um bom motivo: a impressora tem cerca de três vezes a resolução da tela, e um logo que parece bom no monitor sai serrilhado no papel. Imagem pequena não vira grande depois.

Parecer do Conselheiro

Ligar o Conselheiro

Gerar um parecer envia indicadores desta empresa para um serviço de inteligência artificial. Nome de pessoa, razão social e documento não saem daqui — as pessoas aparecem pelo cargo.

Ligue só depois de o cliente autorizar. Desligado, o app inteiro funciona; só o parecer não é gerado.

Quem pode gerar e quem pode ler

São duas perguntas diferentes de propósito. Gerar gasta dinheiro e manda dado para fora. Ler é sobre quem recebe um documento que cobra pessoas pelo cargo.

O padrão é o mais fechado. Abrir por engano não tem volta — o que foi lido foi lido.

Você terminou esta tela quando
  • O regime tributário foi confirmado com o contador, não escolhido por você.
  • O tipo de negócio descreve o que a empresa faz — e você não vai mudá-lo depois.
  • O logo aparece na pré-visualização sem aviso amarelo nem vermelho.
Dois

Premissas — as regras do seu negócio

O que esta tela decide

Premissas são as regras que valem para todos os produtos e todos os meses: alíquotas, prazos, comissão, taxa de cartão, custo do dinheiro. É a tela mais longa do cadastro e a que mais recompensa capricho.

Quase todo campo aceita valor diferente por mês. Você preenche um número e ele se repete nos doze; se algo muda no meio do ano — uma alíquota, um prazo negociado —, é aqui que se registra.

A tela é dividida em quatro grupos, mais os saldos de abertura. Vamos por partes, na ordem em que aparecem.

Impostos

Os campos aqui mudam conforme o regime que você escolheu na tela anterior. No Simples, a maior parte some e dá lugar ao anexo e ao faturamento acumulado.

PIS e COFINS

Alíquotas sobre a receita. Onde achar: na sua nota fiscal, ou com o contador. Variam com o regime — no Presumido costumam ser 0,65% e 3%; no Real, 1,65% e 7,6%.

ICMS — só comércio e indústria

Onde achar: na nota fiscal de venda. Depende do estado e do produto. Se você vende para fora do estado, use a alíquota que aparece na maioria das suas notas.

IPI — só indústria

Onde achar: na nota fiscal. Depende da classificação do produto.

ISS — só serviço

Onde achar: na nota de serviço. É municipal, entre 2% e 5% conforme a cidade e a atividade.

IR, IR adicional, limite mensal do IR e CSLL

As alíquotas sobre o lucro. O adicional incide sobre o que passa do limite mensal — no Brasil, tradicionalmente 10% sobre o que excede R$ 20.000 por mês.

Onde achar: com o contador. Não invente.

Compensação de prejuízo

Quanto do prejuízo de períodos anteriores pode abater o lucro do período atual. Faz efeito no Lucro Real.

Anexo do Simples e faturamento dos últimos 12 meses

Aparecem só no Simples Nacional. O anexo define a tabela; o faturamento acumulado define a faixa dentro dela.

No anexo V, o sistema também pede a folha dos últimos doze meses — é ela que decide se a empresa cai no anexo V ou migra para o III.

Vendas e despesas variáveis

Tudo aqui é percentual sobre a venda: cresce quando você vende mais, encolhe quando vende menos.

Encargos sociais sobre a folha

O que se paga além do salário: INSS patronal, FGTS, férias, décimo terceiro e os encargos sobre eles.

Onde achar: some os encargos de um mês e divida pelo salário bruto do mesmo mês. Costuma dar entre 60% e 80% dependendo do regime. Se você não fizer essa conta, o custo da sua equipe vai aparecer menor do que é — e a decisão de contratar sai errada.

Comissão sobre vendas

A comissão média efetivamente paga, não a da tabela. Se metade da equipe recebe 3% e metade 5%, use o que saiu na folha dividido pelo faturamento.

Fretes e seguros

Onde achar: some o que você gastou de frete de entrega num mês típico e divida pelo faturamento do mesmo mês.

Vendas no cartão de crédito · Taxa da maquininha — crédito

O primeiro é quanto do seu faturamento passa no cartão de crédito. O segundo é a taxa que a adquirente cobra.

Onde achar: no extrato da maquininha. Se você tem mais de uma bandeira ou mais de uma máquina, use a média ponderada — some o que foi descontado no mês e divida pelo que passou.

Vendas no cartão de débito · Taxa da maquininha — débito

O mesmo par, para o débito, cuja taxa é sempre menor.

Atenção, e isto vale para todo varejo

Estes campos cobrem a taxa da maquininha. Eles não cobrem o custo de antecipar os recebíveis.

Se você antecipa, o cliente continua pagando em dez vezes — quem mudou foi só quem banca a espera, e a adquirente cobra juros por isso. Esse custo chega descontado no depósito, nunca como "juros", e por isso quase ninguém o soma.

Enquanto o sistema não tratar isso separadamente, há duas saídas honestas: somar a taxa de antecipação à taxa da maquininha neste campo — assim o custo aparece no resultado —, ou preencher o prazo de recebimento com o prazo real do seu cliente, e não com os dois dias em que o dinheiro cai. As duas coisas ao mesmo tempo contariam o custo em dobro.

Capital de giro

Os três prazos que definem o buraco entre pagar e receber. São os campos de maior efeito no caixa em toda a tela.

Prazo de recebimento

Quantos dias, em média, entre a venda e o dinheiro na conta.

Onde achar: se você vende em 3 vezes 30/60/90, a média é 60. Se parte é à vista e parte parcelado, pondere pelo faturamento de cada forma. Não use o prazo do contrato — use o que acontece.

Prazo de estocagem

Quantos dias o material fica parado antes de virar venda.

Onde achar: valor do estoque dividido pelo custo das vendas de um mês, vezes 30. Estoque de R$ 300 mil com custo mensal de R$ 200 mil dá 45 dias.

Prazo de pagamento a fornecedores

Quantos dias você tem para pagar quem te vende.

Onde achar: a média das condições que você negocia. Este é o único dos três em que maior é melhor.

PDD — devedores duvidosos

Quanto do que você vende, em percentual, você espera não receber.

Onde achar: olhe os últimos doze meses e veja quanto virou perda. Zero é otimismo, não é dado — mesmo empresa boa tem alguma coisa.

Recebimento mais estocagem menos pagamento é o seu ciclo financeiro. É a quantidade de dias em que o dinheiro é seu e está na rua.

Caixa e custo de capital

Saldo mínimo de caixa

O piso abaixo do qual você não quer que a conta caia. Quando a projeção fura esse piso, o sistema aciona automaticamente um empréstimo de cobertura — para você ver o custo de precisar dele.

Como escolher: um mês de despesa fixa é um começo razoável.

Taxa do empréstimo de cobertura

A taxa mensal que o seu banco cobra em capital de giro. Onde achar: no contrato, ou perguntando ao gerente. Use a real, não a que você gostaria.

Custo do capital próprio — retorno esperado pelos sócios

Quanto o dinheiro dos sócios renderia se estivesse fora da empresa, numa aplicação de risco parecido. É anual.

Como escolher: comece pela taxa básica de juros e some um prêmio pelo risco de ser dono. Se a Selic está em 11% e você acha que empresa de móveis exige mais 3 pontos para valer a pena, use 14%.

Este campo é o que faz o sistema responder a pergunta do dono: a empresa paga mais que o banco? Preencher com zero mata o indicador — e é justamente o número que ninguém mais te dá.

Saldos de abertura

A fotografia de onde a empresa estava no dia 1º. Estes sete números vêm do balanço do último ano fechado, e são o único ponto do cadastro em que você precisa mesmo do contador.

CampoDe onde vem
Caixasaldo em conta e aplicações no dia 1º
Contas a recebero que os clientes deviam no dia 1º
Estoquevalor do que estava em estoque, a custo
Fornecedoreso que você devia a fornecedores
Despesas e impostos a pagaro que estava provisionado e ainda não pago
Empréstimo de cobertura em cursosaldo de capital de giro já tomado
Capital socialo capital integralizado pelos sócios
Os lucros acumulados não são pedidos. O sistema calcula esse número sozinho, a partir dos outros — é o que faz o balanço fechar. Se ele sair estranho, o erro está em algum dos sete acima.
O erro que trava o cadastro inteiro

Deixar os saldos de abertura em branco para "preencher depois". Sem eles, o balanço não fecha, o capital de giro não faz sentido, e todos os indicadores de retorno saem errados — em silêncio, sem mensagem de erro.

Se você ainda não tem o balanço, é melhor parar aqui e buscá-lo do que seguir e depois não saber em que confiar.

Você terminou esta tela quando
  • Nenhuma alíquota foi chutada — todas vieram da nota fiscal ou do contador.
  • Os três prazos refletem o que acontece, não o que está no contrato.
  • O custo do capital próprio tem um número, e você sabe explicar de onde tirou.
  • Os sete saldos de abertura vieram do balanço, e não de memória.
  • Se você antecipa recebíveis, escolheu uma das duas saídas do aviso acima.
Três

Produtos e insumos

O que esta tela decide

É daqui que sai toda a receita e todo o custo do que você vende. As outras telas ajustam; esta define.

Ela muda de forma conforme o tipo de negócio que você escolheu lá na tela de Empresa — escolha abaixo para ver só o que serve para você.

O seu negócio é

Antes dos campos: duas coisas que valem para todos

Todo número desta tela é mensal. Você digita um valor e ele se repete nos doze meses — mas pode abrir e mudar mês a mês. É assim que se registra um reajuste de preço em setembro, ou a sazonalidade de dezembro. A maior parte dos erros de projeção vem de gente que preencheu a média do ano num negócio que não tem média.

Não cadastre item por item. Uma loja com quatrocentos códigos não precisa de quatrocentas linhas — precisa de seis a dez famílias que se comportem parecido em preço e margem. Cadastro grande demais não é mais preciso: é mais difícil de manter, e cadastro que ninguém atualiza vira ficção em três meses.

Cadastre o que muda a decisão, não o que existe no estoque.
Escolha o tipo do seu negócio acima para ver os campos.

Os campos

Nome

O nome da família de produtos ou do serviço, como você fala dele no dia a dia. Ele vai aparecer nos gráficos de receita por produto — use um nome que você reconheça num gráfico, não um código interno.

Unidade

Em que você conta: peça, hora, metro, ambiente, atendimento. Serve para você mesmo se orientar depois — o cálculo não depende dela.

Escolha a unidade em que você vende, e não a em que compra. Elas raramente são a mesma.

Volume vendido

Quantas unidades você vende por mês. Não é dinheiro — é quantidade.

Onde achar: no seu sistema de vendas, ou contando as notas de um mês típico. Se o negócio tem sazonalidade forte, vale abrir os doze meses agora — é o campo em que isso mais faz diferença.

Preço de venda

O preço médio praticado por unidade — o que sai na nota, com o desconto que você de fato dá.

Onde achar: faturamento da família dividido pelo volume do mesmo mês. Se você usar o preço de tabela em vez do praticado, a margem vai aparecer melhor do que é, e é justamente essa a mentira que o sistema existe para não deixar acontecer.

Preço de custo (aquisição)

Quanto você paga por unidade para ter esse item — o custo de comprar a mercadoria, ou o custo direto de prestar o serviço.

O que entra: o valor da mercadoria e o que é inseparável dela, como frete de compra.
O que NÃO entra: aluguel, salário da equipe fixa, energia, comissão. Esses vão em Despesas Fixas, Folha e Premissas — se você empurrar tudo para cá, a margem bruta some e a análise perde o sentido.

Primeiro os insumos, depois os produtos

Aqui a tela tem duas partes, e a ordem importa: você cadastra os insumos (a matéria-prima) e só então monta a ficha técnica de cada produto, dizendo quanto de cada insumo ele consome.

O consumo mensal de cada insumo o sistema calcula sozinho, multiplicando a ficha técnica pelo volume produzido. Você não digita consumo em lugar nenhum — e é isso que faz o custo se mexer quando a venda muda.

Insumos

Nome

A matéria-prima, como ela é conhecida na compra: "Chapa MDF 18mm", "Tinta branca fosca", "Fio 2,5mm".

Unidade

A unidade em que você compra e controla esse insumo: chapa, quilo, litro, metro, rolo.

Este campo é a origem do erro mais comum da tela. Guarde qual você escolheu — a ficha técnica lá embaixo tem que falar a mesma língua.

Custo unitário

Quanto custa uma unidade do insumo — uma chapa, um quilo, um litro. Não é o valor da compra do mês.

Onde achar: na nota de compra mais recente. E aqui vale abrir os doze meses: insumo que sobe é a causa silenciosa de margem que cai, e registrar a subida mês a mês é o que faz o sistema mostrar a tesoura se abrindo.

Produtos

Nome e unidade

O que você vende, e em que conta: peça, ambiente, projeto, atendimento. Use nomes que você reconheça num gráfico.

Volume vendido

Quantas unidades por mês. Quantidade, não dinheiro.

Onde achar: no sistema de vendas ou nas notas de um mês típico. É este número que puxa o consumo de insumo — dobrar o volume dobra a compra de matéria-prima, automaticamente.

Preço de venda

O preço médio praticado, com desconto — o que sai na nota, não o de tabela.

Onde achar: faturamento do produto dividido pelo volume do mesmo mês.

A ficha técnica: insumo + quantidade por unidade

A receita. Cada linha diz um insumo e quanto dele entra em UMA unidade do produto.

Se uma cozinha consome 4 chapas e meia de MDF, a linha é Chapa MDF 18mm · 4,5 — e não 4,5 vezes o volume do mês. O sistema faz essa multiplicação.

O erro mais comum, e ele é silencioso

Misturar unidades entre o insumo e a ficha. Você cadastra a chapa com custo "por chapa" e depois monta a ficha em metros quadrados. O sistema multiplica os dois sem reclamar, e o custo sai várias vezes maior ou menor que o real.

Não há como o sistema pegar isso — para ele, número é número. A conferência é sua: a unidade do insumo e a unidade da quantidade na ficha têm que ser a mesma coisa.

Não precisa detalhar tudo. Numa cozinha entram parafuso, cola e fita de borda, e nenhum dos três muda decisão nenhuma. Cadastre os insumos que pesam — costumam ser três ou quatro que respondem por 80% do custo — e jogue o resto num insumo chamado "Diversos", com o custo médio por unidade produzida.

A conferência que pega quase todo erro

Depois de cadastrar tudo, faça esta conta de cabeça, para um mês:

SomeE compare com
volume × preço de venda, de todos os produtos o faturamento real daquele mês, na sua contabilidade

Se der uma diferença de poucos por cento, está bom — é arredondamento de família. Se der 30% de diferença, tem produto faltando, volume errado ou preço de tabela no lugar do praticado.

Essa checagem leva dois minutos e evita descobrir o problema três telas depois, quando o balanço não fechar e ninguém souber por quê.

Dois erros que valem para todo mundo

Preço de tabela em vez do praticado. A margem aparece melhor do que é. Se você dá 10% de desconto na média, o preço praticado é 10% menor — e a diferença some do lucro sem aparecer em lugar nenhum.

Custo do mês inteiro no lugar do custo unitário. É o erro de quem tem o total da compra na cabeça. O campo pede o custo de UMA unidade.

Você terminou esta tela quando
  • Volume × preço bate com o faturamento real do mês, com folga de poucos por cento.
  • Os preços são os praticados, com desconto, e não os de tabela.
  • A unidade de cada insumo e a da ficha técnica são a mesma coisa.
  • Os insumos que pesam estão cadastrados um a um; o resto está em "Diversos".
  • O preço de custo tem só o que é da mercadoria — aluguel e salário não entraram aqui.
  • Se algum preço ou custo muda no meio do ano, isso está nos doze meses e não numa média.
Quatro

Folha e centros de custo

O que esta tela decide

Não é quanto você gasta com gente. Isso é a parte fácil, e você já sabe de cabeça.

É de que lado da conta cada pessoa cai — e essa escolha muda o diagnóstico da empresa inteira, sem mudar um centavo do total.

Por que "centro de custo" e não uma lista de gente

A tela não pede o nome de ninguém. Ela pede grupos: "Produção — montagem", "Vendas — loja", "Administrativo". Cada grupo tem um salário médio e uma quantidade de pessoas que varia mês a mês.

Tem dois motivos, e os dois são práticos. O primeiro é que cadastro com nome de pessoa morre de rotatividade: sai um, entra outro, e em seis meses ninguém mantém mais. O segundo é que o nome individual não muda nenhuma conta — e dado que não muda conta, mas identifica gente, é dado que é melhor não guardar.

Uma contratação em julho não é um centro de custo novo. É o número subindo em julho.

A escolha que importa: o tipo

São três, e a diferença entre elas não é organograma. É onde a despesa entra na sua DRE:

TipoOnde entraO que isso significa
Produção (custo) No custo do produto, junto com a matéria-prima Entra antes da margem de contribuição — some da margem.
Comercial Nas despesas operacionais Entra depois da margem — some do lucro, não da margem.
Administrativo Nas despesas operacionais Mesmo lugar do Comercial. A separação é para você enxergar.

Parece detalhe contábil. Não é. Uma padaria que classifica os padeiros como Administrativo vê uma margem de contribuição excelente e uma despesa administrativa gigante — e conclui que o problema é escritório inchado. O problema é o custo de produzir pão, e ele está escondido na gaveta errada.

A régua, em três perguntas. Para cada grupo, pergunte na ordem:
1. Essa pessoa põe a mão no que o cliente compra? → Produção.
2. Ela faz o cliente comprar? → Comercial.
3. Ela faz a empresa funcionar? → Administrativo.
Quem se encaixa nas duas primeiras — o dono da oficina que também atende — entra dividido em dois grupos, com meia pessoa em cada.

Como cada tipo de negócio costuma usar

Se o seu negócio éProduçãoComercialAdministrativo
Comércio Costuma ficar vazio — quem repõe e organiza estoque cabe aqui se você quiser enxergar o custo de operar a loja. Vendedores de salão, gerente de loja. Escritório, financeiro, compras.
Indústria Chão de fábrica, montagem, acabamento, qualidade. Representantes, vendas internas. Escritório, PCP, RH, financeiro.
Serviço Quem executa o serviço — o técnico, o consultor, o dentista. É a linha mais importante, e a mais esquecida. Quem prospecta e fecha. Recepção, administrativo, financeiro.

Empresa de serviço é onde esse erro dói mais. Se quem executa entra como Administrativo, a margem de contribuição aparece perto de 90% — e uma empresa que "tem 90% de margem" mas não sobra dinheiro nenhum é uma empresa cujo diagnóstico foi para o lixo.

Os campos

Nome

O nome do grupo. Ele aparece nos relatórios, então use algo que você reconheça: "Produção — montagem", e não "CC-04".

Tipo

Administrativo, Comercial ou Produção (custo) — a régua está acima. É o campo mais barato de preencher e o mais caro de errar.

Salário médio (R$)

A média mensal do grupo, em salário bruto. Sem encargos, sem 13º, sem férias, sem FGTS, sem vale.

Isso não é esquecimento do sistema. Os encargos entram uma vez só, como percentual, na tela de Premissas — e o sistema multiplica sozinho, em todos os grupos, todos os meses. Ficam separados porque o percentual muda com o regime e com o acordo do sindicato, e você vai querer simular "e se o encargo subir 5 pontos?" sem reabrir a folha inteira.

O erro que mais aparece nesta tela

Contar os encargos duas vezes. A pessoa carrega o salário médio com encargos — "não é 3.000, é 4.100 com tudo" — e o percentual de Premissas continua lá. O sistema aplica os encargos por cima do que já tinha encargos, e a folha aparece perto de 40% maior do que é.

O sintoma é traiçoeiro: nada quebra, nada acusa. Só o lucro fica pior do que a realidade, e você toma decisão de corte em cima de um número que não existe. Salário bruto aqui. Encargos só em Premissas.

Quantidade de pessoas (os doze meses)

Quantas pessoas naquele grupo, em cada mês. É aqui que entram contratação, desligamento e reforço de temporada.

Use o preencher todos para jogar o número de hoje nos doze meses, e depois mexa só nos meses que mudam. Se você vai contratar dois em agosto, o campo de agosto em diante é que sobe — e o sistema já mostra o efeito disso no caixa de agosto.

Meia pessoa vale. Estagiário de meio período, ou o dono que divide o tempo entre produzir e administrar: 0,5 em cada grupo. O campo aceita, mesmo que ele sugira números inteiros.

Três coisas que NÃO entram aqui

Comissão de vendedor

Comissão é percentual da venda, e mora em Premissas. Não some ela ao salário médio.

Por quê: comissão cai quando a venda cai; salário não. Se você empurrar a comissão para dentro da folha, o sistema passa a tratar um custo variável como fixo — e todo cenário de queda de faturamento vai mostrar um prejuízo maior do que aconteceria de verdade. É exatamente o tipo de erro que faz alguém desistir de uma decisão que era boa.

Prestador PJ e terceirizado

Quem emite nota não tem encargo trabalhista. Se entrar aqui, leva o percentual de encargos por cima e infla a folha.

Vai em Despesas Fixas — administrativa, comercial ou custo, conforme o que a pessoa faz.

A retirada dos sócios — e o que fazer hoje

O sistema ainda não tem uma linha própria de pró-labore. É uma lacuna conhecida e já está na fila para ser resolvida; enquanto isso, vale dizer o contorno em vez de deixar você adivinhar.

O contorno: um centro de custo Administrativo chamado "Pró-labore — sócios", com a quantidade de sócios que retiram e o valor médio da retirada.
O cuidado: ele vai levar o mesmo percentual de encargos da CLT, que é maior do que o encargo real de um pró-labore. Se você quer o número redondo no fim, cadastre a retirada dividida por (1 + o percentual de encargos) — com 35% de encargos, uma retirada de R$ 10.000 entra como R$ 7.400. O total sai certo.

E deixe o pró-labore fora de qualquer outro grupo. Diluído no administrativo, ele vira aquele custo que ninguém consegue explicar e que todo mundo culpa.

Duas amarrações com outras telas

O Fator R do Simples não lê esta tela. Se a sua empresa é de serviço no Anexo V, o teste dos 28% que pode te jogar para o Anexo III usa um campo próprio, digitado em Premissas. Mexeu na folha aqui? Volte lá e confira aquele número — senão o app calcula imposto em cima de uma folha que não é mais a sua.
O salário médio é um número só para o ano inteiro. Não dá para subir em maio por causa do dissídio. Se o reajuste é grande o bastante para importar, o contorno é dois grupos: "Produção — montagem (jan-abr)" com pessoas até abril e zero depois, e "Produção — montagem (mai-dez)" com zero até abril e as pessoas depois. Feio, mas fiel — e o resto do modelo passa a enxergar o degrau.

A conferência

Some salário médio × pessoas de todos os grupos, num mês, e compare com a folha bruta real daquele mês — a que está na guia, antes dos encargos.

Tem que bater de perto. Se o seu número der bem maior, quase sempre é encargo embutido no salário médio; se der bem menor, ficou gente de fora — normalmente o próprio dono.

Você terminou esta tela quando
  • Cada grupo passou pelas três perguntas da régua, e quem executa o que o cliente compra está em Produção.
  • Os salários são brutos, sem encargos — que estão só em Premissas.
  • Comissão e prestador PJ ficaram fora daqui.
  • A retirada dos sócios está num grupo próprio, e não diluída no administrativo.
  • Contratações e saídas previstas aparecem no mês em que acontecem, e não na média do ano.
  • Salário médio × pessoas bate com a folha bruta real do mês.
Cinco

Despesas fixas

O que esta tela decide

Tudo que a empresa gasta e que não é gente e não é mercadoria passa por aqui. É o custo de manter a porta aberta.

São cinco caixas e doze meses cada. Preencher é rápido — a parte que exige cabeça é saber em qual caixa. Duas delas, se você errar, estragam o indicador mais importante do Painel sem dar nenhum aviso.

Primeiro, o que NÃO entra aqui

A régua é curta, e vale passar todo gasto por ela antes de digitar:

Se o gasto…Ele vai para
sobe e desce junto com a venda — comissão, frete de entrega, taxa da maquininha, imposto sobre faturamento Premissas, como percentual. O sistema calcula sozinho, todo mês, sobre a venda daquele mês.
é salário de carteira assinada Folha — o capítulo anterior.
fica igual mesmo que você não venda nada no mês Aqui. É esta a definição de despesa fixa.

Essa separação não é preciosismo. Se você jogar a comissão aqui como um valor fixo, o sistema passa a acreditar que ela continua saindo do caixa mesmo num mês de venda ruim — e todo cenário de queda vai mostrar um prejuízo pior do que aconteceria de verdade.

As cinco caixas

CaixaOnde entraO que colocar
GGF
Gastos Gerais de Fabricação
No custo do produto — antes da margem de contribuição Aluguel do galpão, energia da produção, manutenção de máquina, seguro do parque fabril, ferramental.
Administrativa Despesa operacional Aluguel do escritório, contador, software, internet, telefone, material, limpeza, contabilidade.
Comercial Despesa operacional Marketing, anúncio, feira, viagem de vendedor, brinde, catálogo, representante com valor fixo.
Financeira Despesa operacional Só tarifa: pacote do banco, boleto, TED, IOF avulso, tarifa da conta. Não é juro de empréstimo.
Tributária Despesa operacional IPTU, alvará, taxa de fiscalização, sindicato patronal, IPVA da frota, certificado digital.
Caixa vazia é resposta válida. Um escritório de contabilidade não tem GGF nenhum — deixe zerado e siga. A tela mostra as cinco para todo mundo porque o mesmo sistema atende fábrica e consultório; ela não está te cobrando nada.

GGF é o espelho do "Produção (custo)" do capítulo anterior

Mesma lógica, agora para o que não é gente: o que é da fábrica entra no custo do produto, e portanto some da margem de contribuição. O que é do escritório entra depois dela.

A dúvida prática quase sempre é a mesma: o galpão tem fábrica na frente e escritório no fundo, e a conta de luz vem numa nota só. Divida por uma proporção que você consiga defender — área ocupada, ou o que o eletricista diria. Uma divisão aproximada e honesta é muito melhor que jogar tudo de um lado só, porque jogar tudo de um lado é uma divisão também: é a divisão 100/0, e essa você não consegue defender.

A caixa perigosa: Financeira

Todo mundo lê "Financeira" e pensa em parcela do empréstimo. E é justamente o único lugar onde ela não pode entrar.

O primeiro estrago é a conta dobrada. Os juros dos seus financiamentos já entram sozinhos, calculados na tela de Financiamentos. Digitar aqui é cobrá-los duas vezes da empresa.

O segundo é pior, porque é silencioso. Esta caixa entra acima do EBITDA; o juro de empréstimo entra abaixo dele. E o EBITDA existe para responder uma pergunta só: a operação, sozinha, gera dinheiro? — uma pergunta que precisa ser independente de quanto a empresa pegou emprestado. Empurrando o juro para cima da linha, você mistura o desempenho da operação com o peso da dívida, e aí o EBITDA, o EBIT, o ROIC e o spread do Painel passam todos a contar uma história que não é a sua.

E tem a terceira parte: a parcela do banco tem juro e tem amortização. A amortização não é despesa nenhuma — é você trocando dinheiro por dívida a menos. Ela nunca aparece na DRE, em caixa alguma, e sai sozinha no fluxo de caixa.

A segunda armadilha: depreciação

Depreciação não se digita em lugar nenhum. Ela é calculada a partir da tela de Imobilizado e entra sozinha, entre o EBITDA e o EBIT, exatamente onde tem que entrar.

Lançar aqui faz duas coisas ruins de uma vez: conta a mesma coisa duas vezes, e derruba o EBITDA por causa de um valor que não sai do caixa. É o oposto do que o EBITDA serve para mostrar.

O gasto que não é todo mês

IPTU em janeiro. Seguro em março. Software anual em julho. A tentação é dividir por doze e deixar reto, porque fica mais bonito.

Para o lucro do ano, tanto faz — o total é o mesmo. Para o caixa, não faz o menor sentido: janeiro aperta de verdade, e o aperto é exatamente a informação que você quer que o sistema te devolva.

Diluir a despesa anual em doze é esconder de si mesmo o mês que vai doer.

Use o preencher todos para a parte que é mensal mesmo, e depois some o extraordinário só no mês em que ele sai. É o que faz o gráfico de caixa mostrar o buraco de janeiro em vez de uma linha tranquila que não existe.

De onde tirar os números

Do razão contábil ou do extrato dos últimos três meses, agrupado por natureza. Três meses porque um só engana: sempre tem um mês com alguma coisa fora do normal.

E não detalhe demais. A tela pede cinco totais de propósito. Se você quer saber quanto gasta com software especificamente, isso é pergunta para o seu plano de contas — aqui, "software" mora dentro de Administrativa junto com o resto.

Uma amarração com Premissas. Todas as cinco caixas são pagas com o mesmo prazo médio, que é um único campo lá em Premissas. Não dá para dizer "o aluguel é no dia 5 e o contador no dia 20" — o sistema trabalha com um prazo só para o conjunto. Se as suas despesas fixas têm prazos muito diferentes, use a média ponderada pelo valor, não a média simples.

A conferência

Some as cinco caixas de um mês típico e compare com o que saiu da conta da empresa naquele mês, tirando quatro coisas: folha, compra de mercadoria e insumo, parcela de empréstimo e compra de equipamento.

O que sobrou é isto aqui. Se der uma diferença grande, o costume é que seja uma das três: a parcela do banco entrou como despesa, um gasto anual caiu no mês errado, ou tem uma despesa real que ninguém lembrou de cadastrar — quase sempre a de menor valor e maior frequência.

Você terminou esta tela quando
  • Nada que varia com a venda entrou aqui — comissão, frete e taxa de cartão estão em Premissas.
  • A caixa Financeira tem só tarifa de banco. Nenhum juro, nenhuma parcela.
  • Não tem depreciação digitada em lugar nenhum desta tela.
  • O que é da fábrica está em GGF, e o que é do escritório está em Administrativa.
  • IPTU, seguro e anuidades estão no mês em que saem, e não divididos por doze.
  • A soma das cinco bate com o extrato do mês, tirando folha, mercadoria, empréstimo e equipamento.
Seis

Financiamentos

O que esta tela decide

Aqui entram os empréstimos e financiamentos que a empresa já tem ou vai tomar: um contrato por linha, com o valor, a taxa e o prazo.

O que o sistema faz com isso, todo mês, é separar duas coisas que a parcela do banco junta: o juro, que é despesa e entra no resultado financeiro, e a amortização, que não é despesa nenhuma — é você trocando caixa por dívida a menos, e só aparece no fluxo de caixa. Errar essa separação é o mesmo erro que o capítulo anterior já apontou, visto do outro lado.

Antes dos campos: a conta é feita em SAC

O sistema calcula pelo Sistema de Amortização Constante: a parte de principal da parcela é fixa — o valor do empréstimo dividido pelo número de meses — e o juro incide sobre o saldo devedor, que vai caindo. Resultado: a parcela total começa mais alta e diminui a cada mês.

Se o seu contrato é Tabela Price (parcela fixa do começo ao fim), a tela não modela esse formato. O total de juros ao longo do contrato sai muito próximo; o que muda é a distribuição no tempo — no SAC os primeiros meses pesam mais. Para projeção de caixa anual isso raramente muda a decisão; se o seu financiamento é longo e grande, vale saber que o primeiro ano aparece um pouco mais duro do que o carnê.

Os campos

Nome / banco

Identificação — aparece nos relatórios. Use algo que você reconheça: "Capital de giro — Banco X", "Financiamento da seccionadora".

Principal (R$)

O valor total liberado no contrato — o original, não o que falta pagar hoje.

Onde achar: no contrato ou na cédula de crédito, como "valor do financiamento" ou "valor liberado".
O erro clássico: digitar o saldo devedor atual. Para um empréstimo que a empresa já vem pagando, o principal continua sendo o valor original — quem "envelhece" o contrato e reduz o saldo é o campo de mês e ano abaixo.

Taxa a.m. (%)

A taxa de juros ao mês do contrato.

Onde achar: no contrato, como "taxa de juros ao mês" ou "CET mensal". Use o CET (custo efetivo total) quando ele estiver disponível — é ele que inclui tarifas e seguro embutidos.
Se o contrato só traz a taxa ao ano, não divida por doze. Converta: (1 + taxa anual) elevado a 1/12, menos 1. Uma taxa de 18% ao ano não é 1,5% ao mês — é 1,388%. Dividir por doze faz o custo da dívida aparecer menor do que é.

Prazo (meses)

O número de parcelas para amortizar o principal — o prazo total do contrato, não o que resta.

Um financiamento de 48 meses tomado há 8 meses continua sendo 48 aqui. O sistema descobre sozinho que faltam 40, a partir da data de início.

Mês de início · Ano

Quando o empréstimo foi de fato liberado — mesmo que tenha sido anos atrás, antes de o orçamento começar.

Para um contrato em andamento, escolha o mês e o ano reais da liberação. O sistema calcula o saldo devedor já reduzido pelas parcelas pagas antes de o plano começar — você não precisa "reviver" esses meses, só dizer quando começou e quanto era. Escolher o início do orçamento para um empréstimo antigo faz a empresa parecer que deve muito mais do que deve.

Exemplo, da Aurora. A seccionadora CNC foi financiada em R$ 780.000, a 1,35% ao mês, em 48 meses, e o contrato começou 8 meses antes do plano. O primeiro mês do orçamento já entra com 8 parcelas pagas e o saldo devedor menor. O outro contrato dela, um capital de giro de R$ 400.000 tomado em abril — dentro do plano —, faz os R$ 400 mil entrarem no caixa de abril, e as parcelas começarem dali.

O que NÃO entra aqui

IstoVai para
O empréstimo de cobertura automático Não se cadastra. Quando a projeção de caixa fura o piso, o sistema aciona um sozinho, com a taxa do empréstimo de cobertura que você pôs em Premissas — para você ver o custo de precisar dele.
Cheque especial, conta garantida e outras linhas rotativas A tela modela contrato com prazo e amortização constante. Linha rotativa não tem prazo — se você usa muito, o mais fiel é tratá-la como o empréstimo de cobertura acima, pela taxa em Premissas.
Antecipação de recebíveis Não é dívida com prazo. É a mesma lacuna tratada no capítulo de Premissas — o custo entra lá, na taxa da maquininha ou no prazo real do cliente.
O erro que dobra a conta

Digitar o juro do financiamento também na caixa Financeira de Despesas Fixas. O contrato mora aqui, e o juro dele já entra sozinho no resultado financeiro. Lançado nos dois lugares, a empresa paga juros duas vezes no modelo — e, como a caixa Financeira entra acima do EBITDA, o EBITDA, o EBIT, o ROIC e o spread do Painel saem todos envenenados.

A regra: a caixa Financeira de Despesas Fixas é só tarifa de banco. Todo juro de contrato com prazo é aqui.

A amarração com Imobilizado

O empréstimo e o bem que ele comprou são dois cadastros separados, e é para serem. A seccionadora da Aurora aparece duas vezes no sistema: como dívida aqui — os R$ 780 mil a pagar — e como máquina no capítulo de Imobilizado — os R$ 780 mil que depreciam. Não é dobra: uma linha é o que a empresa deve, a outra é o que ela tem. O sistema não liga uma à outra — se você cadastrar só o financiamento, a máquina não existe para o balanço; se cadastrar só a máquina, a dívida some.

Os financiamentos são os mesmos no Orçado e no Realizado. Como Imobilizado e os Dados da Empresa, este é cadastro da empresa, não do cenário — o que você registra aqui vale para todas as projeções.
Você terminou esta tela quando
  • Todo contrato ativo está na lista, com o principal original e o mês/ano real em que foi liberado.
  • Nenhuma taxa saiu de dividir a taxa anual por doze — todas são a efetiva ao mês.
  • O prazo é o total do contrato, não o que falta.
  • Nenhum juro de financiamento foi também digitado na caixa Financeira de Despesas Fixas.
  • O empréstimo de cobertura automático não foi cadastrado aqui — ele vive na taxa de Premissas.
  • Cada bem comprado com financiamento também está em Imobilizado, como cadastro à parte.
Sete

Imobilizado

O que esta tela decide

Aqui entram os bens que a empresa usa para operar e não vende: máquinas, móveis, veículos, computadores. Um bem por linha, com o que custou, quando entrou em uso e em quantos anos se gasta.

O que o sistema faz com isso é calcular a depreciação — a parcela do bem que "vira despesa" a cada mês — e o valor líquido do que a empresa tem. A depreciação é a despesa que o capítulo 5 disse que não se digita em Despesas Fixas: ela nasce aqui, e só aqui.

Antes dos campos: depreciação linear, até zero

A conta é a mais simples possível: custo × taxa ao ano ÷ 12 é a cota de todo mês, igual do primeiro ao último, até o valor líquido do bem chegar a zero. Uma máquina de R$ 120.000 a 10% ao ano deprecia R$ 1.000 por mês durante 120 meses, e depois para.

Não há valor residual. A tela leva todo bem a zero. Se você normalmente revende a máquina velha por algo no fim da vida útil, o modelo não captura esse resto — é uma diferença pequena e assumida, e quase nunca muda uma decisão.

Você não digita um "imobilizado de abertura"

Diferente dos saldos de abertura do capítulo 2, aqui não existe um campo "valor do imobilizado no dia 1º". Você lista os bens com a data real de compra — inclusive os antigos — e o sistema calcula sozinho o valor líquido de hoje, já descontada a depreciação dos anos anteriores. É a lista que produz o número do balanço, não o contrário.

Os campos

Descrição

O nome do bem, como você o reconhece: "Seccionadora CNC", "Frota de entrega — 2 vans", "Estações de projeto 3D". Aparece nos relatórios.

Categoria

Máquinas, Móveis, Veículos ou Informática. Serve para você organizar e ler os relatórios — o que move o cálculo é a taxa, não a categoria. Escolha a que mais se aproxima; nada quebra se um ativo ficar numa categoria discutível.

Custo de aquisição (R$)

O valor pago pelo bem quando entrou — o de compra, não o que ele valeria hoje.

O que entra: o preço do bem mais o que foi inseparável para colocá-lo em uso — frete, instalação, montagem.
Onde achar: na nota fiscal de compra, ou no controle de patrimônio.
O erro clássico: pôr o valor contábil atual, já depreciado. O custo aqui é sempre o cheio; quem "envelhece" o bem é a data abaixo.

Depreciação a.a. (%)

Em quantos anos o bem se gasta, dito como percentual ao ano.

Onde achar: as taxas usuais da Receita Federal por tipo de bem — 10% ao ano para máquinas e móveis (10 anos de vida), 20% ao ano para veículos e computadores (5 anos). Se o seu contador usa outra taxa no controle de patrimônio, use a dele.

Mês de aquisição · Ano

Quando o bem entrou em operação — mesmo que tenha sido anos atrás, antes de o orçamento começar.

Para um bem que a empresa já vem depreciando, escolha o mês e o ano reais da compra. O sistema parte do valor líquido já reduzido pelas cotas dos anos anteriores — você não reinicia a depreciação. Um bem comprado dentro do horizonte do plano tem o custo saindo do caixa no mês da compra, como investimento.

Exemplo, da Aurora. A furadeira múltipla foi comprada 26 meses antes do plano e a frota de vans, 14 meses antes — as duas entram no primeiro mês do orçamento já parcialmente depreciadas. A seccionadora e a coladeira, compradas 8 meses antes, são as mesmas do contrato de financiamento do capítulo 6 — o bem aqui, a dívida lá.

O que NÃO entra aqui

IstoPor quê / vai para
Imóveis e terrenos A tela não tem categoria para eles, e terreno não deprecia de qualquer forma. Se a empresa é dona do imóvel, isso hoje fica de fora do modelo — trate como uma limitação conhecida.
Ferramenta e material de baixo valor — furadeira de mão, cadeira avulsa, material de escritório Vai em Despesas Fixas, no mês em que sai. Cadastrar como imobilizado só enche a lista sem mudar o resultado.
Estoque e matéria-prima É o capítulo 3. Imobilizado é o que produz; estoque é o que se vende ou se consome.
Bem já 100% depreciado e ainda em uso Pode deixar de fora — valor líquido zero e cota zero não mudam mais nada. Mantenha na lista só se quiser enxergar que o bem existe.
A dupla contagem que envenena o EBITDA

Digitar a depreciação também numa caixa de Despesas Fixas. Ela já entra sozinha, a partir desta tela, no lugar certo — entre o EBITDA e o EBIT. Lançada de novo lá atrás, é contada duas vezes, e derruba o EBITDA por causa de um valor que não sai do caixa — o oposto do que o EBITDA existe para mostrar.

A regra: depreciação não se digita em lugar nenhum além desta tela. Aqui você informa o bem; a cota é consequência.

A amarração com Financiamentos

Bem comprado à vista: entra só aqui, e o dinheiro sai do caixa no mês da compra. Bem financiado: entra aqui (o bem que deprecia) e no capítulo 6 (a dívida que se paga). São dois cadastros porque são duas coisas — o que a empresa tem e o que ela deve —, e o sistema não cria um a partir do outro.

O imobilizado é o mesmo no Orçado e no Realizado. Como Financiamentos e os Dados da Empresa, é cadastro da empresa, não do cenário.
Você terminou esta tela quando
  • Todo bem relevante está na lista, com o custo de aquisição cheio e o mês/ano reais de entrada em uso.
  • As taxas batem com o tipo do bem — 10% para máquinas e móveis, 20% para veículos e informática — ou com a do seu contador.
  • Nenhuma depreciação foi digitada em Despesas Fixas.
  • Cada bem comprado com financiamento também está no capítulo 6, como dívida à parte.
  • Ferramenta de baixo valor, material de escritório e estoque ficaram de fora.
  • Você não procurou um campo de "imobilizado de abertura" — a lista de bens com as datas é que gera esse número.
Oito

Cenários — Orçado e Realizado

O que esta tela decide

Todo o cadastro até aqui montou um conjunto de números: o Orçado, o plano oficial da empresa para o ano. Esta tela é onde você cria as outras versões — a cópia para testar "e se", e o Realizado, onde entram os números que de fato aconteceram.

E é aqui que mora o mecanismo mais importante do acompanhamento: fechar o mês. O Realizado não é "o ano" — é só o que já fechou.

Os três tipos

TipoO que é
Orçado O plano oficial. Existe sempre, é único, e é o que todas as outras telas leem por padrão. Você o construiu nos capítulos 1 a 7.
Cenário simulado Uma cópia inteira do Orçado — premissas, produtos, despesas, folha — para você mexer sem tocar no original. "E se as vendas caírem 10%?", "e se o aluguel dobrar?". Pode ter vários, e pode apagar.
Realizado Único, começa vazio. Você preenche mês a mês, nas mesmas telas de cadastro, com o que aconteceu de verdade — para comparar contra o Orçado.
O que os cenários NÃO copiam: financiamentos, imobilizado e os dados da empresa são compartilhados — um só, para todas as versões. Faz sentido: a dívida do banco e as máquinas da empresa são as mesmas, não importa a projeção de vendas.
Cenário simulado não é o Simulador. O Simulador é uma tela à parte, para mexer num número só e ver o efeito na hora. O cenário simulado daqui é uma cópia salva, que você edita como um orçado paralelo e que fica guardada. E ele não se atualiza sozinho se você mexer no Orçado depois — é uma cópia do momento.

Fechar o mês — o mecanismo central

No Realizado, além dos números, você diz até que mês os dados estão completos e conferidos: "fechado até março". A partir daí:

  • o Painel do Realizado mostra só até o mês fechado — o resto é futuro, não existe Realizado ali;
  • a comparação Orçado × Realizado corta o Orçado no mesmo mês, para comparar período igual dos dois lados — nunca o ano inteiro do plano contra três meses de real.
Fechar o mês é dizer "isto aqui está conferido". Não feche o que você ainda não bateu contra o extrato.

Orçado × Realizado

A tela de comparação mostra a DRE inteira, linha a linha, só até o mês fechado: o que o plano previa, o que aconteceu, a diferença em reais e em percentual. A cor da diferença segue o sentido da linha — receita acima do orçado aparece como favorável, despesa acima aparece como desfavorável. É pista visual, não veredito contábil.

No topo, "Desempenho até agora" responde a pergunta que o dono faz primeiro ao abrir o mês fechado: no ritmo de até agora, você vai bater o orçado do ano?

A comparação só aparece quando há pelo menos um mês fechado. Logo depois de criar o Realizado, ela mostra "nenhum mês fechado ainda" — é o esperado.
O erro que anula o acompanhamento

Editar o Orçado para "corrigir" com o que aconteceu. O Orçado é o plano, e o valor da comparação está nele ficar parado. Se a cada mês você ajusta o plano para bater com a realidade, a variação vai dar sempre perto de zero e você nunca vai enxergar onde errou a mão.

O que aconteceu vai no Realizado. O Orçado só muda no planejamento do ano seguinte — ou numa revisão formal e consciente, não num remendo mês a mês.

Dá para reabrir um mês — voltar o "fechado até" para um mês anterior. Use com cuidado: isso tira meses da comparação e do Painel, e normalmente só faz sentido se você fechou cedo demais e achou um erro.
Você está pronto para acompanhar quando
  • O Orçado está completo, e você não vai mais mexer nele para "acertar" com a realidade.
  • O Realizado foi criado, e o primeiro mês real já foi lançado nas telas de cadastro com esse cenário selecionado.
  • Cada mês só foi marcado como fechado depois de conferido contra o extrato e a contabilidade.
  • Você entende que a comparação sempre olha os dois lados no mesmo período — o último mês fechado.
Nove

Depois do cadastro: o que olhar primeiro

O que esta tela é

O Painel é a porta de entrada da empresa. A primeira aba, Visão Geral, é o resumo visual antes das tabelas — e a ordem em que ela mostra as coisas é a metodologia da casa desenhada. Vale seguir essa ordem na primeira leitura.

Nenhum número aqui é novo: é o mesmo cálculo das abas de DRE, Balanço e Fluxo, só desenhado. Se algo diverge, é bug — não interpretação.

A ordem de leitura: de baixo para cima

O método não começa pelo faturamento. Começa por dentro, na ordem:

PerguntaOnde olhar
1. Dá lucro? Lucro Líquido e EBITDA, cada um com a sua margem ao lado.
2. Tem fôlego? Menor saldo de caixa (o pior mês do ano) e a NCG — quanto de dinheiro a operação exige parado.
3. Vale a pena o dinheiro estar aqui? Spread (ROIC − WACC). Acima de zero, a empresa cria valor. Abaixo, ela dá lucro no papel e destrói valor.
4. Quanto vendeu? Receita Bruta — por último, de propósito. Sozinha, ela não responde nenhuma das três perguntas acima.

Os seis números no topo do Painel estão exatamente nessa ordem. A primeira linha são as três perguntas; a segunda é o detalhe que as sustenta.

Faturamento subindo com margem caindo é a armadilha que a leitura de cima para baixo não mostra.

Depois dos números, os blocos de gráfico

Resultado

Receita, EBITDA e lucro mês a mês, e a cascata "da receita ao lucro" — cada dedução em vermelho, os três marcos (receita bruta, EBITDA, lucro) em roxo. É onde você vê em qual etapa o dinheiro escapa.

Caixa

O saldo mês a mês, com a linha tracejada do saldo mínimo das Premissas: onde o saldo fura essa linha, a empresa precisa de empréstimo de cobertura. E o fluxo por natureza — o caixa do mês veio da operação, de financiamento ou de investimento?

Lucro não é caixa. Este bloco existe para a empresa que "deu lucro" e mesmo assim passou o ano no vermelho da conta.

Capital de giro

NCG, Capital Circulante Líquido e Saldo de Tesouraria, pelo modelo Fleuriet. Tesouraria negativa e caindo é o sinal clássico do efeito tesoura — a operação crescendo mais rápido do que a empresa consegue financiar.

Retorno e estrutura · Composição · Pessoas

ROIC contra WACC e a liquidez; quem traz a receita e quem consome o custo variável; o quadro de pessoal e a folha por área. Os totais empilhados batem com a DRE — se não baterem, algo no cadastro está inconsistente.

Diagnóstico

No fim, a leitura automática por regra fixa — o "e daí?" depois dos gráficos. É o mesmo texto da aba de Indicadores, trazido para cá.

Duas coisas que mudam o que o Painel mostra

O cenário aberto. O crachá no topo diz qual está sendo calculado — Orçado, um cenário simulado ou o Realizado. No Realizado, tudo aparece só até o mês fechado, e os gráficos de resultado e caixa ganham a linha tracejada do Orçado — "o que era pra ter sido".
Num Realizado parcial, o Spread vem anualizado e o rótulo diz "anualizado de N meses". Leia como "neste ritmo, o ano seria assim", não como "o ano foi assim".
Se o Painel não abre

Quando falta cadastro para calcular, a tela não mostra números — manda direto para a tela que está travando, com o texto "Falta preencher X". Não é erro: é o cadastro incompleto. Siga o link, preencha, volte.

E na aba Balanço, o selo diz "✓ o balanço fecha em todos os meses" ou "⚠ maior diferença R$ X". Se não fecha, o problema quase sempre está nos saldos de abertura do capítulo 2.

A primeira leitura, na ordem
  • Dá lucro? — Lucro Líquido e EBITDA, com as margens.
  • Tem fôlego? — o menor saldo de caixa do ano, e a NCG.
  • Cria valor? — o Spread (ROIC − WACC) está acima de zero?
  • Só então a Receita — e lida junto com a margem, não sozinha.
  • O balanço fecha em todos os meses?
  • O Diagnóstico, no fim, para o "e daí?".
vm4leads · Planejamento & Análise Empresarial Parte 2 · Cadastro e primeira leitura — telas 0 a 9