Cadastrar Sem Errar
Tela por tela, campo por campo: o que é, de onde tirar o número, e o que quebra lá na frente se ficar errado. Na ordem em que se preenche pela primeira vez.
Antes de começar
Não comece pelo sistema. Comece juntando papel — porque cadastrar chutando é pior do que não cadastrar: você passa a confiar num número que inventou.
O que ter em mãos
| O quê | Onde conseguir |
|---|---|
| Balanço do último ano fechado | com o contador — é de onde saem os saldos de abertura |
| DRE do último ano | com o contador |
| Lista de produtos ou serviços, com preço de venda | sua tabela de preços |
| O que cada um custa — material, insumo, mercadoria | notas de compra, ficha técnica se existir |
| Folha de pagamento, por área | o resumo da folha, ou o contador |
| Despesas fixas do mês | extrato bancário de um mês típico |
| Contratos de empréstimo e financiamento | o banco — precisa de saldo, taxa e prazo |
| Lista de máquinas, veículos e imóveis | o controle de patrimônio, ou o contador |
Parece muita coisa. Na prática, quem tem contador organizado junta isso em uma tarde — e é a única tarde difícil do processo.
Quanto tempo leva
Uma empresa pequena, com o material em mãos, leva de duas a quatro horas para o primeiro cadastro completo. Não tente fazer numa sentada: as telas de Premissas e Produtos pedem cabeça descansada.
Se você pular direto para Produtos sem ter definido o tipo de negócio na tela de Empresa, vai preencher campos que somem — e refazer.
Empresa — a tela que muda todas as outras
Duas escolhas aqui mudam o comportamento do sistema inteiro: o regime tributário decide como o imposto é calculado, e o tipo de negócio decide como a tela de Produtos funciona.
É a única tela que vale a pena revisar antes de seguir.
Identificação
O nome que aparece no topo das telas e no cabeçalho do Parecer do Conselheiro — o documento que vai impresso para a reunião. Use o nome pelo qual a empresa é conhecida, não necessariamente a razão social completa.
Identificação, sem efeito em cálculo nenhum. Preencha porque documento de conselho sem identificação da empresa parece rascunho.
Regime tributário
Aqui você diz ao sistema qual conta de imposto usar. As três opções calculam de formas diferentes, e escolher errado não dá erro — dá um resultado plausível e falso.
O imposto sai de uma tabela por faixa de faturamento. Ao escolher este, a tela de Premissas passa a pedir o anexo e o faturamento dos últimos doze meses, e esconde as alíquotas individuais — porque no Simples elas não se aplicam separadamente.
O imposto incide sobre um lucro presumido — uma porcentagem do faturamento definida em lei — e não sobre o lucro que a empresa de fato teve.
Consequência que quase ninguém antecipa: numa empresa de margem fina, o imposto pode ser maior que o lucro operacional. Não é erro do sistema — é como o regime funciona, e é uma das coisas que o app existe para deixar visível.
O imposto incide sobre o lucro efetivamente apurado, com direito a compensar prejuízo de períodos anteriores. É o regime em que as alíquotas de IR, adicional de IR e CSLL da tela de Premissas fazem efeito completo.
Regime tributário é decisão do contador, e mudar de regime tem regra e prazo. O campo aqui serve para informar qual é o seu, não para escolher um.
Se você não sabe, pergunte antes de continuar — todo o resto do cadastro depende disso.
Tipo de negócio
Esta escolha muda a tela de Produtos, e é a que mais gera retrabalho quando fica errada.
| Escolha | Como fica a tela de Produtos |
|---|---|
| Comércio | Cada produto tem preço de compra e de venda. Sem ficha técnica — você revende o que compra pronto. |
| Indústria | Cada produto tem uma ficha técnica: a receita, com quantidade de cada insumo por unidade produzida. |
| Serviço Simples | Cada serviço tem preço de venda e custo direto. Sem insumos — consultoria, aula, projeto. |
| Serviço com Produto | Mesma ficha técnica da indústria. Para quem presta serviço consumindo material: salão, oficina, clínica. |
Trocar o tipo de negócio depois de cadastrar produtos. O que foi cadastrado no modo anterior para de ser usado pelo motor — o produto continua na lista, mas os campos que o cálculo precisa ficam vazios.
O sistema avisa quando você mexe nisso. Leia o aviso.
Logo da empresa
Aparece no cabeçalho do Parecer do Conselheiro, que vai impresso para a mesa. PNG horizontal com fundo transparente é o que fica melhor.
Entre 200 × 60 e 1200 × 400 pixels, até 400 KB. Abaixo do mínimo o sistema recusa — e recusa por um bom motivo: a impressora tem cerca de três vezes a resolução da tela, e um logo que parece bom no monitor sai serrilhado no papel. Imagem pequena não vira grande depois.
Parecer do Conselheiro
Gerar um parecer envia indicadores desta empresa para um serviço de inteligência artificial. Nome de pessoa, razão social e documento não saem daqui — as pessoas aparecem pelo cargo.
Ligue só depois de o cliente autorizar. Desligado, o app inteiro funciona; só o parecer não é gerado.
São duas perguntas diferentes de propósito. Gerar gasta dinheiro e manda dado para fora. Ler é sobre quem recebe um documento que cobra pessoas pelo cargo.
O padrão é o mais fechado. Abrir por engano não tem volta — o que foi lido foi lido.
- O regime tributário foi confirmado com o contador, não escolhido por você.
- O tipo de negócio descreve o que a empresa faz — e você não vai mudá-lo depois.
- O logo aparece na pré-visualização sem aviso amarelo nem vermelho.
Premissas — as regras do seu negócio
Premissas são as regras que valem para todos os produtos e todos os meses: alíquotas, prazos, comissão, taxa de cartão, custo do dinheiro. É a tela mais longa do cadastro e a que mais recompensa capricho.
Quase todo campo aceita valor diferente por mês. Você preenche um número e ele se repete nos doze; se algo muda no meio do ano — uma alíquota, um prazo negociado —, é aqui que se registra.
A tela é dividida em quatro grupos, mais os saldos de abertura. Vamos por partes, na ordem em que aparecem.
Impostos
Os campos aqui mudam conforme o regime que você escolheu na tela anterior. No Simples, a maior parte some e dá lugar ao anexo e ao faturamento acumulado.
Alíquotas sobre a receita. Onde achar: na sua nota fiscal, ou com o contador. Variam com o regime — no Presumido costumam ser 0,65% e 3%; no Real, 1,65% e 7,6%.
Onde achar: na nota fiscal de venda. Depende do estado e do produto. Se você vende para fora do estado, use a alíquota que aparece na maioria das suas notas.
Onde achar: na nota fiscal. Depende da classificação do produto.
Onde achar: na nota de serviço. É municipal, entre 2% e 5% conforme a cidade e a atividade.
As alíquotas sobre o lucro. O adicional incide sobre o que passa do limite mensal — no Brasil, tradicionalmente 10% sobre o que excede R$ 20.000 por mês.
Onde achar: com o contador. Não invente.
Quanto do prejuízo de períodos anteriores pode abater o lucro do período atual. Faz efeito no Lucro Real.
Aparecem só no Simples Nacional. O anexo define a tabela; o faturamento acumulado define a faixa dentro dela.
No anexo V, o sistema também pede a folha dos últimos doze meses — é ela que decide se a empresa cai no anexo V ou migra para o III.
Vendas e despesas variáveis
Tudo aqui é percentual sobre a venda: cresce quando você vende mais, encolhe quando vende menos.
O que se paga além do salário: INSS patronal, FGTS, férias, décimo terceiro e os encargos sobre eles.
Onde achar: some os encargos de um mês e divida pelo salário bruto do mesmo mês. Costuma dar entre 60% e 80% dependendo do regime. Se você não fizer essa conta, o custo da sua equipe vai aparecer menor do que é — e a decisão de contratar sai errada.
A comissão média efetivamente paga, não a da tabela. Se metade da equipe recebe 3% e metade 5%, use o que saiu na folha dividido pelo faturamento.
Onde achar: some o que você gastou de frete de entrega num mês típico e divida pelo faturamento do mesmo mês.
O primeiro é quanto do seu faturamento passa no cartão de crédito. O segundo é a taxa que a adquirente cobra.
Onde achar: no extrato da maquininha. Se você tem mais de uma bandeira ou mais de uma máquina, use a média ponderada — some o que foi descontado no mês e divida pelo que passou.
O mesmo par, para o débito, cuja taxa é sempre menor.
Estes campos cobrem a taxa da maquininha. Eles não cobrem o custo de antecipar os recebíveis.
Se você antecipa, o cliente continua pagando em dez vezes — quem mudou foi só quem banca a espera, e a adquirente cobra juros por isso. Esse custo chega descontado no depósito, nunca como "juros", e por isso quase ninguém o soma.
Enquanto o sistema não tratar isso separadamente, há duas saídas honestas: somar a taxa de antecipação à taxa da maquininha neste campo — assim o custo aparece no resultado —, ou preencher o prazo de recebimento com o prazo real do seu cliente, e não com os dois dias em que o dinheiro cai. As duas coisas ao mesmo tempo contariam o custo em dobro.
Capital de giro
Os três prazos que definem o buraco entre pagar e receber. São os campos de maior efeito no caixa em toda a tela.
Quantos dias, em média, entre a venda e o dinheiro na conta.
Onde achar: se você vende em 3 vezes 30/60/90, a média é 60. Se parte é à vista e parte parcelado, pondere pelo faturamento de cada forma. Não use o prazo do contrato — use o que acontece.
Quantos dias o material fica parado antes de virar venda.
Onde achar: valor do estoque dividido pelo custo das vendas de um mês, vezes 30. Estoque de R$ 300 mil com custo mensal de R$ 200 mil dá 45 dias.
Quantos dias você tem para pagar quem te vende.
Onde achar: a média das condições que você negocia. Este é o único dos três em que maior é melhor.
Quanto do que você vende, em percentual, você espera não receber.
Onde achar: olhe os últimos doze meses e veja quanto virou perda. Zero é otimismo, não é dado — mesmo empresa boa tem alguma coisa.
Caixa e custo de capital
O piso abaixo do qual você não quer que a conta caia. Quando a projeção fura esse piso, o sistema aciona automaticamente um empréstimo de cobertura — para você ver o custo de precisar dele.
Como escolher: um mês de despesa fixa é um começo razoável.
A taxa mensal que o seu banco cobra em capital de giro. Onde achar: no contrato, ou perguntando ao gerente. Use a real, não a que você gostaria.
Quanto o dinheiro dos sócios renderia se estivesse fora da empresa, numa aplicação de risco parecido. É anual.
Como escolher: comece pela taxa básica de juros e some um prêmio pelo risco de ser dono. Se a Selic está em 11% e você acha que empresa de móveis exige mais 3 pontos para valer a pena, use 14%.
Este campo é o que faz o sistema responder a pergunta do dono: a empresa paga mais que o banco? Preencher com zero mata o indicador — e é justamente o número que ninguém mais te dá.
Saldos de abertura
A fotografia de onde a empresa estava no dia 1º. Estes sete números vêm do balanço do último ano fechado, e são o único ponto do cadastro em que você precisa mesmo do contador.
| Campo | De onde vem |
|---|---|
| Caixa | saldo em conta e aplicações no dia 1º |
| Contas a receber | o que os clientes deviam no dia 1º |
| Estoque | valor do que estava em estoque, a custo |
| Fornecedores | o que você devia a fornecedores |
| Despesas e impostos a pagar | o que estava provisionado e ainda não pago |
| Empréstimo de cobertura em curso | saldo de capital de giro já tomado |
| Capital social | o capital integralizado pelos sócios |
Deixar os saldos de abertura em branco para "preencher depois". Sem eles, o balanço não fecha, o capital de giro não faz sentido, e todos os indicadores de retorno saem errados — em silêncio, sem mensagem de erro.
Se você ainda não tem o balanço, é melhor parar aqui e buscá-lo do que seguir e depois não saber em que confiar.
- Nenhuma alíquota foi chutada — todas vieram da nota fiscal ou do contador.
- Os três prazos refletem o que acontece, não o que está no contrato.
- O custo do capital próprio tem um número, e você sabe explicar de onde tirou.
- Os sete saldos de abertura vieram do balanço, e não de memória.
- Se você antecipa recebíveis, escolheu uma das duas saídas do aviso acima.
Produtos e insumos
É daqui que sai toda a receita e todo o custo do que você vende. As outras telas ajustam; esta define.
Ela muda de forma conforme o tipo de negócio que você escolheu lá na tela de Empresa — escolha abaixo para ver só o que serve para você.
Antes dos campos: duas coisas que valem para todos
Todo número desta tela é mensal. Você digita um valor e ele se repete nos doze meses — mas pode abrir e mudar mês a mês. É assim que se registra um reajuste de preço em setembro, ou a sazonalidade de dezembro. A maior parte dos erros de projeção vem de gente que preencheu a média do ano num negócio que não tem média.
Não cadastre item por item. Uma loja com quatrocentos códigos não precisa de quatrocentas linhas — precisa de seis a dez famílias que se comportem parecido em preço e margem. Cadastro grande demais não é mais preciso: é mais difícil de manter, e cadastro que ninguém atualiza vira ficção em três meses.
Os campos
O nome da família de produtos ou do serviço, como você fala dele no dia a dia. Ele vai aparecer nos gráficos de receita por produto — use um nome que você reconheça num gráfico, não um código interno.
Em que você conta: peça, hora, metro, ambiente, atendimento. Serve para você mesmo se orientar depois — o cálculo não depende dela.
Escolha a unidade em que você vende, e não a em que compra. Elas raramente são a mesma.
Quantas unidades você vende por mês. Não é dinheiro — é quantidade.
Onde achar: no seu sistema de vendas, ou contando as notas de um mês típico. Se o negócio tem sazonalidade forte, vale abrir os doze meses agora — é o campo em que isso mais faz diferença.
O preço médio praticado por unidade — o que sai na nota, com o desconto que você de fato dá.
Onde achar: faturamento da família dividido pelo volume do mesmo mês. Se você usar o preço de tabela em vez do praticado, a margem vai aparecer melhor do que é, e é justamente essa a mentira que o sistema existe para não deixar acontecer.
Quanto você paga por unidade para ter esse item — o custo de comprar a mercadoria, ou o custo direto de prestar o serviço.
O que entra: o valor da mercadoria e o que é inseparável dela,
como frete de compra.
O que NÃO entra: aluguel, salário da equipe fixa, energia,
comissão. Esses vão em Despesas Fixas, Folha e Premissas — se você
empurrar tudo para cá, a margem bruta some e a análise perde o sentido.
Primeiro os insumos, depois os produtos
Aqui a tela tem duas partes, e a ordem importa: você cadastra os insumos (a matéria-prima) e só então monta a ficha técnica de cada produto, dizendo quanto de cada insumo ele consome.
O consumo mensal de cada insumo o sistema calcula sozinho, multiplicando a ficha técnica pelo volume produzido. Você não digita consumo em lugar nenhum — e é isso que faz o custo se mexer quando a venda muda.
Insumos
A matéria-prima, como ela é conhecida na compra: "Chapa MDF 18mm", "Tinta branca fosca", "Fio 2,5mm".
A unidade em que você compra e controla esse insumo: chapa, quilo, litro, metro, rolo.
Este campo é a origem do erro mais comum da tela. Guarde qual você escolheu — a ficha técnica lá embaixo tem que falar a mesma língua.
Quanto custa uma unidade do insumo — uma chapa, um quilo, um litro. Não é o valor da compra do mês.
Onde achar: na nota de compra mais recente. E aqui vale abrir os doze meses: insumo que sobe é a causa silenciosa de margem que cai, e registrar a subida mês a mês é o que faz o sistema mostrar a tesoura se abrindo.
Produtos
O que você vende, e em que conta: peça, ambiente, projeto, atendimento. Use nomes que você reconheça num gráfico.
Quantas unidades por mês. Quantidade, não dinheiro.
Onde achar: no sistema de vendas ou nas notas de um mês típico. É este número que puxa o consumo de insumo — dobrar o volume dobra a compra de matéria-prima, automaticamente.
O preço médio praticado, com desconto — o que sai na nota, não o de tabela.
Onde achar: faturamento do produto dividido pelo volume do mesmo mês.
A receita. Cada linha diz um insumo e quanto dele entra em UMA unidade do produto.
Se uma cozinha consome 4 chapas e meia de MDF, a linha é Chapa MDF 18mm · 4,5 — e não 4,5 vezes o volume do mês. O sistema faz essa multiplicação.
Misturar unidades entre o insumo e a ficha. Você cadastra a chapa com custo "por chapa" e depois monta a ficha em metros quadrados. O sistema multiplica os dois sem reclamar, e o custo sai várias vezes maior ou menor que o real.
Não há como o sistema pegar isso — para ele, número é número. A conferência é sua: a unidade do insumo e a unidade da quantidade na ficha têm que ser a mesma coisa.
A conferência que pega quase todo erro
Depois de cadastrar tudo, faça esta conta de cabeça, para um mês:
| Some | E compare com |
|---|---|
| volume × preço de venda, de todos os produtos | o faturamento real daquele mês, na sua contabilidade |
Se der uma diferença de poucos por cento, está bom — é arredondamento de família. Se der 30% de diferença, tem produto faltando, volume errado ou preço de tabela no lugar do praticado.
Essa checagem leva dois minutos e evita descobrir o problema três telas depois, quando o balanço não fechar e ninguém souber por quê.
Preço de tabela em vez do praticado. A margem aparece melhor do que é. Se você dá 10% de desconto na média, o preço praticado é 10% menor — e a diferença some do lucro sem aparecer em lugar nenhum.
Custo do mês inteiro no lugar do custo unitário. É o erro de quem tem o total da compra na cabeça. O campo pede o custo de UMA unidade.
- Volume × preço bate com o faturamento real do mês, com folga de poucos por cento.
- Os preços são os praticados, com desconto, e não os de tabela.
- A unidade de cada insumo e a da ficha técnica são a mesma coisa.
- Os insumos que pesam estão cadastrados um a um; o resto está em "Diversos".
- O preço de custo tem só o que é da mercadoria — aluguel e salário não entraram aqui.
- Se algum preço ou custo muda no meio do ano, isso está nos doze meses e não numa média.
Folha e centros de custo
Não é quanto você gasta com gente. Isso é a parte fácil, e você já sabe de cabeça.
É de que lado da conta cada pessoa cai — e essa escolha muda o diagnóstico da empresa inteira, sem mudar um centavo do total.
Por que "centro de custo" e não uma lista de gente
A tela não pede o nome de ninguém. Ela pede grupos: "Produção — montagem", "Vendas — loja", "Administrativo". Cada grupo tem um salário médio e uma quantidade de pessoas que varia mês a mês.
Tem dois motivos, e os dois são práticos. O primeiro é que cadastro com nome de pessoa morre de rotatividade: sai um, entra outro, e em seis meses ninguém mantém mais. O segundo é que o nome individual não muda nenhuma conta — e dado que não muda conta, mas identifica gente, é dado que é melhor não guardar.
A escolha que importa: o tipo
São três, e a diferença entre elas não é organograma. É onde a despesa entra na sua DRE:
| Tipo | Onde entra | O que isso significa |
|---|---|---|
| Produção (custo) | No custo do produto, junto com a matéria-prima | Entra antes da margem de contribuição — some da margem. |
| Comercial | Nas despesas operacionais | Entra depois da margem — some do lucro, não da margem. |
| Administrativo | Nas despesas operacionais | Mesmo lugar do Comercial. A separação é para você enxergar. |
Parece detalhe contábil. Não é. Uma padaria que classifica os padeiros como Administrativo vê uma margem de contribuição excelente e uma despesa administrativa gigante — e conclui que o problema é escritório inchado. O problema é o custo de produzir pão, e ele está escondido na gaveta errada.
1. Essa pessoa põe a mão no que o cliente compra? → Produção.
2. Ela faz o cliente comprar? → Comercial.
3. Ela faz a empresa funcionar? → Administrativo.
Quem se encaixa nas duas primeiras — o dono da oficina que também atende — entra dividido em dois grupos, com meia pessoa em cada.
Como cada tipo de negócio costuma usar
| Se o seu negócio é | Produção | Comercial | Administrativo |
|---|---|---|---|
| Comércio | Costuma ficar vazio — quem repõe e organiza estoque cabe aqui se você quiser enxergar o custo de operar a loja. | Vendedores de salão, gerente de loja. | Escritório, financeiro, compras. |
| Indústria | Chão de fábrica, montagem, acabamento, qualidade. | Representantes, vendas internas. | Escritório, PCP, RH, financeiro. |
| Serviço | Quem executa o serviço — o técnico, o consultor, o dentista. É a linha mais importante, e a mais esquecida. | Quem prospecta e fecha. | Recepção, administrativo, financeiro. |
Empresa de serviço é onde esse erro dói mais. Se quem executa entra como Administrativo, a margem de contribuição aparece perto de 90% — e uma empresa que "tem 90% de margem" mas não sobra dinheiro nenhum é uma empresa cujo diagnóstico foi para o lixo.
Os campos
O nome do grupo. Ele aparece nos relatórios, então use algo que você reconheça: "Produção — montagem", e não "CC-04".
Administrativo, Comercial ou Produção (custo) — a régua está acima. É o campo mais barato de preencher e o mais caro de errar.
A média mensal do grupo, em salário bruto. Sem encargos, sem 13º, sem férias, sem FGTS, sem vale.
Isso não é esquecimento do sistema. Os encargos entram uma vez só, como percentual, na tela de Premissas — e o sistema multiplica sozinho, em todos os grupos, todos os meses. Ficam separados porque o percentual muda com o regime e com o acordo do sindicato, e você vai querer simular "e se o encargo subir 5 pontos?" sem reabrir a folha inteira.
Contar os encargos duas vezes. A pessoa carrega o salário médio com encargos — "não é 3.000, é 4.100 com tudo" — e o percentual de Premissas continua lá. O sistema aplica os encargos por cima do que já tinha encargos, e a folha aparece perto de 40% maior do que é.
O sintoma é traiçoeiro: nada quebra, nada acusa. Só o lucro fica pior do que a realidade, e você toma decisão de corte em cima de um número que não existe. Salário bruto aqui. Encargos só em Premissas.
Quantas pessoas naquele grupo, em cada mês. É aqui que entram contratação, desligamento e reforço de temporada.
Use o preencher todos para jogar o número de hoje nos doze meses, e depois mexa só nos meses que mudam. Se você vai contratar dois em agosto, o campo de agosto em diante é que sobe — e o sistema já mostra o efeito disso no caixa de agosto.
Meia pessoa vale. Estagiário de meio período, ou o dono que divide o tempo entre produzir e administrar: 0,5 em cada grupo. O campo aceita, mesmo que ele sugira números inteiros.
Três coisas que NÃO entram aqui
Comissão é percentual da venda, e mora em Premissas. Não some ela ao salário médio.
Por quê: comissão cai quando a venda cai; salário não. Se você empurrar a comissão para dentro da folha, o sistema passa a tratar um custo variável como fixo — e todo cenário de queda de faturamento vai mostrar um prejuízo maior do que aconteceria de verdade. É exatamente o tipo de erro que faz alguém desistir de uma decisão que era boa.
Quem emite nota não tem encargo trabalhista. Se entrar aqui, leva o percentual de encargos por cima e infla a folha.
Vai em Despesas Fixas — administrativa, comercial ou custo, conforme o que a pessoa faz.
O sistema ainda não tem uma linha própria de pró-labore. É uma lacuna conhecida e já está na fila para ser resolvida; enquanto isso, vale dizer o contorno em vez de deixar você adivinhar.
O contorno: um centro de custo Administrativo chamado
"Pró-labore — sócios", com a quantidade de sócios que retiram e o valor
médio da retirada.
O cuidado: ele vai levar o mesmo percentual de encargos da CLT,
que é maior do que o encargo real de um pró-labore. Se você quer o
número redondo no fim, cadastre a retirada dividida por
(1 + o percentual de encargos) — com 35% de encargos, uma retirada
de R$ 10.000 entra como R$ 7.400. O total sai certo.
E deixe o pró-labore fora de qualquer outro grupo. Diluído no administrativo, ele vira aquele custo que ninguém consegue explicar e que todo mundo culpa.
Duas amarrações com outras telas
A conferência
Some salário médio × pessoas de todos os grupos, num mês, e compare com a folha bruta real daquele mês — a que está na guia, antes dos encargos.
Tem que bater de perto. Se o seu número der bem maior, quase sempre é encargo embutido no salário médio; se der bem menor, ficou gente de fora — normalmente o próprio dono.
- Cada grupo passou pelas três perguntas da régua, e quem executa o que o cliente compra está em Produção.
- Os salários são brutos, sem encargos — que estão só em Premissas.
- Comissão e prestador PJ ficaram fora daqui.
- A retirada dos sócios está num grupo próprio, e não diluída no administrativo.
- Contratações e saídas previstas aparecem no mês em que acontecem, e não na média do ano.
- Salário médio × pessoas bate com a folha bruta real do mês.
Despesas fixas
Tudo que a empresa gasta e que não é gente e não é mercadoria passa por aqui. É o custo de manter a porta aberta.
São cinco caixas e doze meses cada. Preencher é rápido — a parte que exige cabeça é saber em qual caixa. Duas delas, se você errar, estragam o indicador mais importante do Painel sem dar nenhum aviso.
Primeiro, o que NÃO entra aqui
A régua é curta, e vale passar todo gasto por ela antes de digitar:
| Se o gasto… | Ele vai para |
|---|---|
| sobe e desce junto com a venda — comissão, frete de entrega, taxa da maquininha, imposto sobre faturamento | Premissas, como percentual. O sistema calcula sozinho, todo mês, sobre a venda daquele mês. |
| é salário de carteira assinada | Folha — o capítulo anterior. |
| fica igual mesmo que você não venda nada no mês | Aqui. É esta a definição de despesa fixa. |
Essa separação não é preciosismo. Se você jogar a comissão aqui como um valor fixo, o sistema passa a acreditar que ela continua saindo do caixa mesmo num mês de venda ruim — e todo cenário de queda vai mostrar um prejuízo pior do que aconteceria de verdade.
As cinco caixas
| Caixa | Onde entra | O que colocar |
|---|---|---|
| GGF Gastos Gerais de Fabricação |
No custo do produto — antes da margem de contribuição | Aluguel do galpão, energia da produção, manutenção de máquina, seguro do parque fabril, ferramental. |
| Administrativa | Despesa operacional | Aluguel do escritório, contador, software, internet, telefone, material, limpeza, contabilidade. |
| Comercial | Despesa operacional | Marketing, anúncio, feira, viagem de vendedor, brinde, catálogo, representante com valor fixo. |
| Financeira | Despesa operacional | Só tarifa: pacote do banco, boleto, TED, IOF avulso, tarifa da conta. Não é juro de empréstimo. |
| Tributária | Despesa operacional | IPTU, alvará, taxa de fiscalização, sindicato patronal, IPVA da frota, certificado digital. |
GGF é o espelho do "Produção (custo)" do capítulo anterior
Mesma lógica, agora para o que não é gente: o que é da fábrica entra no custo do produto, e portanto some da margem de contribuição. O que é do escritório entra depois dela.
A dúvida prática quase sempre é a mesma: o galpão tem fábrica na frente e escritório no fundo, e a conta de luz vem numa nota só. Divida por uma proporção que você consiga defender — área ocupada, ou o que o eletricista diria. Uma divisão aproximada e honesta é muito melhor que jogar tudo de um lado só, porque jogar tudo de um lado é uma divisão também: é a divisão 100/0, e essa você não consegue defender.
Todo mundo lê "Financeira" e pensa em parcela do empréstimo. E é justamente o único lugar onde ela não pode entrar.
O primeiro estrago é a conta dobrada. Os juros dos seus financiamentos já entram sozinhos, calculados na tela de Financiamentos. Digitar aqui é cobrá-los duas vezes da empresa.
O segundo é pior, porque é silencioso. Esta caixa entra acima do EBITDA; o juro de empréstimo entra abaixo dele. E o EBITDA existe para responder uma pergunta só: a operação, sozinha, gera dinheiro? — uma pergunta que precisa ser independente de quanto a empresa pegou emprestado. Empurrando o juro para cima da linha, você mistura o desempenho da operação com o peso da dívida, e aí o EBITDA, o EBIT, o ROIC e o spread do Painel passam todos a contar uma história que não é a sua.
E tem a terceira parte: a parcela do banco tem juro e tem amortização. A amortização não é despesa nenhuma — é você trocando dinheiro por dívida a menos. Ela nunca aparece na DRE, em caixa alguma, e sai sozinha no fluxo de caixa.
Depreciação não se digita em lugar nenhum. Ela é calculada a partir da tela de Imobilizado e entra sozinha, entre o EBITDA e o EBIT, exatamente onde tem que entrar.
Lançar aqui faz duas coisas ruins de uma vez: conta a mesma coisa duas vezes, e derruba o EBITDA por causa de um valor que não sai do caixa. É o oposto do que o EBITDA serve para mostrar.
O gasto que não é todo mês
IPTU em janeiro. Seguro em março. Software anual em julho. A tentação é dividir por doze e deixar reto, porque fica mais bonito.
Para o lucro do ano, tanto faz — o total é o mesmo. Para o caixa, não faz o menor sentido: janeiro aperta de verdade, e o aperto é exatamente a informação que você quer que o sistema te devolva.
Use o preencher todos para a parte que é mensal mesmo, e depois some o extraordinário só no mês em que ele sai. É o que faz o gráfico de caixa mostrar o buraco de janeiro em vez de uma linha tranquila que não existe.
De onde tirar os números
Do razão contábil ou do extrato dos últimos três meses, agrupado por natureza. Três meses porque um só engana: sempre tem um mês com alguma coisa fora do normal.
E não detalhe demais. A tela pede cinco totais de propósito. Se você quer saber quanto gasta com software especificamente, isso é pergunta para o seu plano de contas — aqui, "software" mora dentro de Administrativa junto com o resto.
A conferência
Some as cinco caixas de um mês típico e compare com o que saiu da conta da empresa naquele mês, tirando quatro coisas: folha, compra de mercadoria e insumo, parcela de empréstimo e compra de equipamento.
O que sobrou é isto aqui. Se der uma diferença grande, o costume é que seja uma das três: a parcela do banco entrou como despesa, um gasto anual caiu no mês errado, ou tem uma despesa real que ninguém lembrou de cadastrar — quase sempre a de menor valor e maior frequência.
- Nada que varia com a venda entrou aqui — comissão, frete e taxa de cartão estão em Premissas.
- A caixa Financeira tem só tarifa de banco. Nenhum juro, nenhuma parcela.
- Não tem depreciação digitada em lugar nenhum desta tela.
- O que é da fábrica está em GGF, e o que é do escritório está em Administrativa.
- IPTU, seguro e anuidades estão no mês em que saem, e não divididos por doze.
- A soma das cinco bate com o extrato do mês, tirando folha, mercadoria, empréstimo e equipamento.
Financiamentos
Aqui entram os empréstimos e financiamentos que a empresa já tem ou vai tomar: um contrato por linha, com o valor, a taxa e o prazo.
O que o sistema faz com isso, todo mês, é separar duas coisas que a parcela do banco junta: o juro, que é despesa e entra no resultado financeiro, e a amortização, que não é despesa nenhuma — é você trocando caixa por dívida a menos, e só aparece no fluxo de caixa. Errar essa separação é o mesmo erro que o capítulo anterior já apontou, visto do outro lado.
Antes dos campos: a conta é feita em SAC
O sistema calcula pelo Sistema de Amortização Constante: a parte de principal da parcela é fixa — o valor do empréstimo dividido pelo número de meses — e o juro incide sobre o saldo devedor, que vai caindo. Resultado: a parcela total começa mais alta e diminui a cada mês.
Os campos
Identificação — aparece nos relatórios. Use algo que você reconheça: "Capital de giro — Banco X", "Financiamento da seccionadora".
O valor total liberado no contrato — o original, não o que falta pagar hoje.
Onde achar: no contrato ou na cédula de crédito, como "valor
do financiamento" ou "valor liberado".
O erro clássico: digitar o saldo devedor atual. Para um
empréstimo que a empresa já vem pagando, o principal continua sendo o
valor original — quem "envelhece" o contrato e reduz o saldo é o
campo de mês e ano abaixo.
A taxa de juros ao mês do contrato.
Onde achar: no contrato, como "taxa de juros ao mês" ou "CET
mensal". Use o CET (custo efetivo total) quando ele estiver disponível
— é ele que inclui tarifas e seguro embutidos.
Se o contrato só traz a taxa ao ano, não divida por doze.
Converta: (1 + taxa anual) elevado a 1/12, menos 1. Uma taxa de
18% ao ano não é 1,5% ao mês — é 1,388%. Dividir por doze faz o custo
da dívida aparecer menor do que é.
O número de parcelas para amortizar o principal — o prazo total do contrato, não o que resta.
Um financiamento de 48 meses tomado há 8 meses continua sendo 48 aqui. O sistema descobre sozinho que faltam 40, a partir da data de início.
Quando o empréstimo foi de fato liberado — mesmo que tenha sido anos atrás, antes de o orçamento começar.
Para um contrato em andamento, escolha o mês e o ano reais da liberação. O sistema calcula o saldo devedor já reduzido pelas parcelas pagas antes de o plano começar — você não precisa "reviver" esses meses, só dizer quando começou e quanto era. Escolher o início do orçamento para um empréstimo antigo faz a empresa parecer que deve muito mais do que deve.
O que NÃO entra aqui
| Isto | Vai para |
|---|---|
| O empréstimo de cobertura automático | Não se cadastra. Quando a projeção de caixa fura o piso, o sistema aciona um sozinho, com a taxa do empréstimo de cobertura que você pôs em Premissas — para você ver o custo de precisar dele. |
| Cheque especial, conta garantida e outras linhas rotativas | A tela modela contrato com prazo e amortização constante. Linha rotativa não tem prazo — se você usa muito, o mais fiel é tratá-la como o empréstimo de cobertura acima, pela taxa em Premissas. |
| Antecipação de recebíveis | Não é dívida com prazo. É a mesma lacuna tratada no capítulo de Premissas — o custo entra lá, na taxa da maquininha ou no prazo real do cliente. |
Digitar o juro do financiamento também na caixa Financeira de Despesas Fixas. O contrato mora aqui, e o juro dele já entra sozinho no resultado financeiro. Lançado nos dois lugares, a empresa paga juros duas vezes no modelo — e, como a caixa Financeira entra acima do EBITDA, o EBITDA, o EBIT, o ROIC e o spread do Painel saem todos envenenados.
A regra: a caixa Financeira de Despesas Fixas é só tarifa de banco. Todo juro de contrato com prazo é aqui.
A amarração com Imobilizado
O empréstimo e o bem que ele comprou são dois cadastros separados, e é para serem. A seccionadora da Aurora aparece duas vezes no sistema: como dívida aqui — os R$ 780 mil a pagar — e como máquina no capítulo de Imobilizado — os R$ 780 mil que depreciam. Não é dobra: uma linha é o que a empresa deve, a outra é o que ela tem. O sistema não liga uma à outra — se você cadastrar só o financiamento, a máquina não existe para o balanço; se cadastrar só a máquina, a dívida some.
- Todo contrato ativo está na lista, com o principal original e o mês/ano real em que foi liberado.
- Nenhuma taxa saiu de dividir a taxa anual por doze — todas são a efetiva ao mês.
- O prazo é o total do contrato, não o que falta.
- Nenhum juro de financiamento foi também digitado na caixa Financeira de Despesas Fixas.
- O empréstimo de cobertura automático não foi cadastrado aqui — ele vive na taxa de Premissas.
- Cada bem comprado com financiamento também está em Imobilizado, como cadastro à parte.
Imobilizado
Aqui entram os bens que a empresa usa para operar e não vende: máquinas, móveis, veículos, computadores. Um bem por linha, com o que custou, quando entrou em uso e em quantos anos se gasta.
O que o sistema faz com isso é calcular a depreciação — a parcela do bem que "vira despesa" a cada mês — e o valor líquido do que a empresa tem. A depreciação é a despesa que o capítulo 5 disse que não se digita em Despesas Fixas: ela nasce aqui, e só aqui.
Antes dos campos: depreciação linear, até zero
A conta é a mais simples possível: custo × taxa ao ano ÷ 12 é a cota de todo mês, igual do primeiro ao último, até o valor líquido do bem chegar a zero. Uma máquina de R$ 120.000 a 10% ao ano deprecia R$ 1.000 por mês durante 120 meses, e depois para.
Você não digita um "imobilizado de abertura"
Diferente dos saldos de abertura do capítulo 2, aqui não existe um campo "valor do imobilizado no dia 1º". Você lista os bens com a data real de compra — inclusive os antigos — e o sistema calcula sozinho o valor líquido de hoje, já descontada a depreciação dos anos anteriores. É a lista que produz o número do balanço, não o contrário.
Os campos
O nome do bem, como você o reconhece: "Seccionadora CNC", "Frota de entrega — 2 vans", "Estações de projeto 3D". Aparece nos relatórios.
Máquinas, Móveis, Veículos ou Informática. Serve para você organizar e ler os relatórios — o que move o cálculo é a taxa, não a categoria. Escolha a que mais se aproxima; nada quebra se um ativo ficar numa categoria discutível.
O valor pago pelo bem quando entrou — o de compra, não o que ele valeria hoje.
O que entra: o preço do bem mais o que foi inseparável para
colocá-lo em uso — frete, instalação, montagem.
Onde achar: na nota fiscal de compra, ou no controle de
patrimônio.
O erro clássico: pôr o valor contábil atual, já depreciado. O
custo aqui é sempre o cheio; quem "envelhece" o bem é a data abaixo.
Em quantos anos o bem se gasta, dito como percentual ao ano.
Onde achar: as taxas usuais da Receita Federal por tipo de bem — 10% ao ano para máquinas e móveis (10 anos de vida), 20% ao ano para veículos e computadores (5 anos). Se o seu contador usa outra taxa no controle de patrimônio, use a dele.
Quando o bem entrou em operação — mesmo que tenha sido anos atrás, antes de o orçamento começar.
Para um bem que a empresa já vem depreciando, escolha o mês e o ano reais da compra. O sistema parte do valor líquido já reduzido pelas cotas dos anos anteriores — você não reinicia a depreciação. Um bem comprado dentro do horizonte do plano tem o custo saindo do caixa no mês da compra, como investimento.
O que NÃO entra aqui
| Isto | Por quê / vai para |
|---|---|
| Imóveis e terrenos | A tela não tem categoria para eles, e terreno não deprecia de qualquer forma. Se a empresa é dona do imóvel, isso hoje fica de fora do modelo — trate como uma limitação conhecida. |
| Ferramenta e material de baixo valor — furadeira de mão, cadeira avulsa, material de escritório | Vai em Despesas Fixas, no mês em que sai. Cadastrar como imobilizado só enche a lista sem mudar o resultado. |
| Estoque e matéria-prima | É o capítulo 3. Imobilizado é o que produz; estoque é o que se vende ou se consome. |
| Bem já 100% depreciado e ainda em uso | Pode deixar de fora — valor líquido zero e cota zero não mudam mais nada. Mantenha na lista só se quiser enxergar que o bem existe. |
Digitar a depreciação também numa caixa de Despesas Fixas. Ela já entra sozinha, a partir desta tela, no lugar certo — entre o EBITDA e o EBIT. Lançada de novo lá atrás, é contada duas vezes, e derruba o EBITDA por causa de um valor que não sai do caixa — o oposto do que o EBITDA existe para mostrar.
A regra: depreciação não se digita em lugar nenhum além desta tela. Aqui você informa o bem; a cota é consequência.
A amarração com Financiamentos
Bem comprado à vista: entra só aqui, e o dinheiro sai do caixa no mês da compra. Bem financiado: entra aqui (o bem que deprecia) e no capítulo 6 (a dívida que se paga). São dois cadastros porque são duas coisas — o que a empresa tem e o que ela deve —, e o sistema não cria um a partir do outro.
- Todo bem relevante está na lista, com o custo de aquisição cheio e o mês/ano reais de entrada em uso.
- As taxas batem com o tipo do bem — 10% para máquinas e móveis, 20% para veículos e informática — ou com a do seu contador.
- Nenhuma depreciação foi digitada em Despesas Fixas.
- Cada bem comprado com financiamento também está no capítulo 6, como dívida à parte.
- Ferramenta de baixo valor, material de escritório e estoque ficaram de fora.
- Você não procurou um campo de "imobilizado de abertura" — a lista de bens com as datas é que gera esse número.
Cenários — Orçado e Realizado
Todo o cadastro até aqui montou um conjunto de números: o Orçado, o plano oficial da empresa para o ano. Esta tela é onde você cria as outras versões — a cópia para testar "e se", e o Realizado, onde entram os números que de fato aconteceram.
E é aqui que mora o mecanismo mais importante do acompanhamento: fechar o mês. O Realizado não é "o ano" — é só o que já fechou.
Os três tipos
| Tipo | O que é |
|---|---|
| Orçado | O plano oficial. Existe sempre, é único, e é o que todas as outras telas leem por padrão. Você o construiu nos capítulos 1 a 7. |
| Cenário simulado | Uma cópia inteira do Orçado — premissas, produtos, despesas, folha — para você mexer sem tocar no original. "E se as vendas caírem 10%?", "e se o aluguel dobrar?". Pode ter vários, e pode apagar. |
| Realizado | Único, começa vazio. Você preenche mês a mês, nas mesmas telas de cadastro, com o que aconteceu de verdade — para comparar contra o Orçado. |
Fechar o mês — o mecanismo central
No Realizado, além dos números, você diz até que mês os dados estão completos e conferidos: "fechado até março". A partir daí:
- o Painel do Realizado mostra só até o mês fechado — o resto é futuro, não existe Realizado ali;
- a comparação Orçado × Realizado corta o Orçado no mesmo mês, para comparar período igual dos dois lados — nunca o ano inteiro do plano contra três meses de real.
Orçado × Realizado
A tela de comparação mostra a DRE inteira, linha a linha, só até o mês fechado: o que o plano previa, o que aconteceu, a diferença em reais e em percentual. A cor da diferença segue o sentido da linha — receita acima do orçado aparece como favorável, despesa acima aparece como desfavorável. É pista visual, não veredito contábil.
No topo, "Desempenho até agora" responde a pergunta que o dono faz primeiro ao abrir o mês fechado: no ritmo de até agora, você vai bater o orçado do ano?
Editar o Orçado para "corrigir" com o que aconteceu. O Orçado é o plano, e o valor da comparação está nele ficar parado. Se a cada mês você ajusta o plano para bater com a realidade, a variação vai dar sempre perto de zero e você nunca vai enxergar onde errou a mão.
O que aconteceu vai no Realizado. O Orçado só muda no planejamento do ano seguinte — ou numa revisão formal e consciente, não num remendo mês a mês.
- O Orçado está completo, e você não vai mais mexer nele para "acertar" com a realidade.
- O Realizado foi criado, e o primeiro mês real já foi lançado nas telas de cadastro com esse cenário selecionado.
- Cada mês só foi marcado como fechado depois de conferido contra o extrato e a contabilidade.
- Você entende que a comparação sempre olha os dois lados no mesmo período — o último mês fechado.
Depois do cadastro: o que olhar primeiro
O Painel é a porta de entrada da empresa. A primeira aba, Visão Geral, é o resumo visual antes das tabelas — e a ordem em que ela mostra as coisas é a metodologia da casa desenhada. Vale seguir essa ordem na primeira leitura.
Nenhum número aqui é novo: é o mesmo cálculo das abas de DRE, Balanço e Fluxo, só desenhado. Se algo diverge, é bug — não interpretação.
A ordem de leitura: de baixo para cima
O método não começa pelo faturamento. Começa por dentro, na ordem:
| Pergunta | Onde olhar |
|---|---|
| 1. Dá lucro? | Lucro Líquido e EBITDA, cada um com a sua margem ao lado. |
| 2. Tem fôlego? | Menor saldo de caixa (o pior mês do ano) e a NCG — quanto de dinheiro a operação exige parado. |
| 3. Vale a pena o dinheiro estar aqui? | Spread (ROIC − WACC). Acima de zero, a empresa cria valor. Abaixo, ela dá lucro no papel e destrói valor. |
| 4. Quanto vendeu? | Receita Bruta — por último, de propósito. Sozinha, ela não responde nenhuma das três perguntas acima. |
Os seis números no topo do Painel estão exatamente nessa ordem. A primeira linha são as três perguntas; a segunda é o detalhe que as sustenta.
Depois dos números, os blocos de gráfico
Receita, EBITDA e lucro mês a mês, e a cascata "da receita ao lucro" — cada dedução em vermelho, os três marcos (receita bruta, EBITDA, lucro) em roxo. É onde você vê em qual etapa o dinheiro escapa.
O saldo mês a mês, com a linha tracejada do saldo mínimo das Premissas: onde o saldo fura essa linha, a empresa precisa de empréstimo de cobertura. E o fluxo por natureza — o caixa do mês veio da operação, de financiamento ou de investimento?
Lucro não é caixa. Este bloco existe para a empresa que "deu lucro" e mesmo assim passou o ano no vermelho da conta.
NCG, Capital Circulante Líquido e Saldo de Tesouraria, pelo modelo Fleuriet. Tesouraria negativa e caindo é o sinal clássico do efeito tesoura — a operação crescendo mais rápido do que a empresa consegue financiar.
ROIC contra WACC e a liquidez; quem traz a receita e quem consome o custo variável; o quadro de pessoal e a folha por área. Os totais empilhados batem com a DRE — se não baterem, algo no cadastro está inconsistente.
No fim, a leitura automática por regra fixa — o "e daí?" depois dos gráficos. É o mesmo texto da aba de Indicadores, trazido para cá.
Duas coisas que mudam o que o Painel mostra
Quando falta cadastro para calcular, a tela não mostra números — manda direto para a tela que está travando, com o texto "Falta preencher X". Não é erro: é o cadastro incompleto. Siga o link, preencha, volte.
E na aba Balanço, o selo diz "✓ o balanço fecha em todos os meses" ou "⚠ maior diferença R$ X". Se não fecha, o problema quase sempre está nos saldos de abertura do capítulo 2.
- Dá lucro? — Lucro Líquido e EBITDA, com as margens.
- Tem fôlego? — o menor saldo de caixa do ano, e a NCG.
- Cria valor? — o Spread (ROIC − WACC) está acima de zero?
- Só então a Receita — e lida junto com a margem, não sozinha.
- O balanço fecha em todos os meses?
- O Diagnóstico, no fim, para o "e daí?".