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Planejamento & Análise Empresarial · Parte 3

Do Zero ao Parecer

O caminho inteiro, uma vez: da empresa vazia ao primeiro parecer do Conselheiro na mão. A Aurora Móveis Planejados é o exemplo pronto — abra-a ao lado a cada passo para ver como cada tela fica quando está preenchida de verdade.

Passo zero

O que você vai precisar

Neste passo

Juntar o material antes de tocar no sistema, e abrir a Aurora para ter um gabarito ao lado.

Cadastrar chutando é pior do que não cadastrar — você passa a confiar num número que inventou. Com o contador organizado, o material abaixo se junta em uma tarde, e é a única tarde difícil do processo. A lista completa, campo a campo, está no capítulo 0 da Parte 2 (Cadastro); em resumo:

O quêOnde conseguir
Balanço e DRE do último ano fechadocom o contador
Lista de produtos/serviços com preço, e o que cada um custatabela de preços, notas de compra
Folha por área, despesas fixas de um mês típicoresumo da folha, extrato bancário
Contratos de empréstimo e a lista de máquinas, veículos e imóveiso banco, o controle de patrimônio
A Aurora já vem pronta no sistema — indústria de móveis planejados, R$ 16,2 milhões, com o Conselheiro ligado. Ela tem problemas plantados de propósito: uma empresa-modelo saudável não ensinaria nada. Ao longo deste caminho, cada passo aponta o que a Aurora mostra ali — é o seu gabarito de "como fica quando está certo, e o que o sistema faz quando algo está torto".
Passo um

Criar a empresa

Neste passo

Só a identidade da empresa — e as duas escolhas que mudam todo o resto: o regime tributário e o tipo de negócio.

Em Empresas → Cadastrar empresa, você preenche nome, CNPJ, endereço, regime e tipo de negócio. É rápido de propósito — o resto vem em telas separadas. Mas pare para acertar dois campos:

  • Regime tributário — decisão do contador, não sua. Escolher errado não dá erro; dá um resultado plausível e falso.
  • Tipo de negócio — muda a tela de Produtos. Trocar depois de cadastrar produtos é o retrabalho mais caro do sistema.
A Aurora é Indústria (tem ficha técnica: cada cozinha consome chapas de MDF) e Lucro Real. Se o seu negócio revende pronto, é Comércio; se presta serviço consumindo material — salão, oficina —, é Serviço com Produto.
Passo dois

O cadastro, na ordem

Neste passo

Preencher as sete telas de cadastro, na ordem em que uma usa as decisões da anterior. Cada uma tem um capítulo próprio na Parte 2 (Cadastro) — aqui é só a sequência e onde parar.

OrdemTelaO ponto de atenção
1PremissasAlíquotas, os três prazos do capital de giro, o custo do capital próprio, os sete saldos de abertura. Nada de chute.
2Produtos e insumosFamílias, não SKUs. Preço praticado, não de tabela. Na indústria, a unidade do insumo tem que bater com a da ficha técnica.
3Folha e centros de custoSalário bruto (encargos ficam em Premissas). O tipo do centro decide de que lado da margem a pessoa cai.
4Despesas fixasNada que varia com a venda. A caixa Financeira é só tarifa de banco.
5FinanciamentosPrincipal original e data real do contrato. O juro não se repete em Despesas Fixas.
6ImobilizadoCusto cheio e data real de compra — o motor calcula o valor líquido de hoje.
Você terminou o cadastro quando
  • O Painel abre sem mandar você "preencher X" — não falta nenhuma entrada.
  • Na aba Balanço, o selo diz "✓ o balanço fecha em todos os meses". Se não fecha, o erro está nos saldos de abertura.
  • A conferência de cada tela (a soma bate com o extrato / a folha / o faturamento real) passou.
Na Aurora, ao terminar aqui, dois problemas já estão nos números, esperando o próximo passo revelar: o MDF sobe 24% no ano com o preço parado até setembro, e o ciclo financeiro é de 96 dias.
Passo três

A primeira leitura do Painel

Neste passo

Abrir a Visão Geral e ler de baixo para cima, na ordem do método: dá lucro? tem fôlego? cria valor? — e só então o faturamento.

Os seis números do topo estão nessa ordem de propósito. Leia-os assim, e depois desça pelos blocos de gráfico (Resultado, Caixa, Capital de giro, Retorno, Composição, Pessoas), fechando no Diagnóstico. O capítulo 9 da Parte 2 (Cadastro) detalha cada bloco.

Faturamento subindo com margem caindo é a armadilha que a leitura de cima para baixo não mostra.
É aqui que a Aurora se entrega. A margem bruta cai de 37,6% para 34,7% enquanto a margem líquida sobe de 2,5% para 6,5% — quem olha só o percentual de lucro conclui que está tudo ótimo. E o gráfico de caixa mostra a cobertura zerada até agosto e disparando para R$ 493 mil em dezembro: o crescimento está comendo o caixa. Esses dois já justificam a assinatura.
Passo quatro

Montar a estratégia

Neste passo

Criar o plano, escrever a SWOT, cadastrar os objetivos nas quatro perspectivas, ligar indicadores e conferir no mapa e no Painel BSC. O detalhe está na Parte 2 (Estratégia).

OrdemTelaO que fazer
1Plano e SWOTHorizonte de anos, visão específica, a matriz pelos dois eixos (dentro/fora, ajuda/atrapalha).
2Objetivos e indicadoresComece pela Financeira e desça. Cada objetivo, ao menos um indicador. Ligue as setas de causa e efeito.
3Mapa estratégicoConfira: nenhuma faixa vazia, nenhum objetivo na perspectiva errada.
4Painel BSCMeta contra realizado. A cor de cada nível é a do pior filho — não a média.
A SWOT da Aurora já nomeia os problemas por escrito: "preço não é reajustado na cadência em que o custo do MDF sobe" e "ciclo financeiro de 96 dias — cada venda consome caixa muito antes de devolvê-lo". Escrever a fraqueza é o primeiro passo; transformá-la em objetivo com dono é o passo que a Aurora não deu — e é isso que o próximo capítulo revela.
Passo cinco

Ciclo, risco e a costura

Neste passo

Abrir o ciclo de OKR do trimestre, registrar os riscos, e rodar a tela de Alinhamento — que é onde os buracos entre as camadas aparecem.

  • Ciclos de OKR — escolha os objetivos do mapa para atacar nos próximos 90 dias; cada Key Result diz de onde para onde um número anda.
  • Riscos e resiliência — registre o que pode dar errado; rode o teste de estresse (o mesmo motor do Simulador, com choques fixos).
  • Alinhamento — a meta financeira do BSC está paga pelo Orçado? Todo objetivo tem quem meça e quem execute? Nenhum projeto está fora do mapa?
Na Aurora, o Alinhamento acende dois alarmes. O objetivo "reajustar preço na cadência do custo" — o que consertaria a erosão de margem — não tem projeto, nem tarefa, nem Key Result: ninguém está trabalhando nele. E o projeto "Nova filial em Caxias do Sul", que consome R$ 850 mil — mais do que todos os outros projetos somados —, não sustenta objetivo nenhum, e é grande e irreversível. É o tipo de aposta que ninguém questiona porque já começou.
Passo seis

Amarrar a execução

Neste passo

Cadastrar os projetos e as tarefas, com cada Projeto declarando qual objetivo sustenta e qual Key Result move. A Parte 2 (Execução) cobre tela por tela.

Um Projeto só salva com objetivo e Key Result amarrados — é essa ligação que faz o mapa e o BSC responderem se a estratégia anda. Ação sem ligação com o mapa vai como Plano de ação. Depois, o quadro Kanban conduz o dia a dia, e a agenda mostra o que vence quando.

A execução está no lugar quando
  • Todo Projeto tem objetivo e KR — nenhum órfão que deveria estar amarrado.
  • Cada projeto tem responsável e ao menos uma tarefa.
  • Tamanho da aposta e reversibilidade preenchidos — a tela de Riscos depende deles.
Passo sete

Ligar o Realizado

Neste passo

Criar o cenário Realizado, lançar o primeiro mês real e marcá-lo como fechado. É o que liga o acompanhamento.

Na tela de Cenários, clique em "Criar Realizado" — ele nasce vazio. Preencha o primeiro mês nas mesmas telas de cadastro (Premissas, Produtos, Despesas, Folha), com o cenário Realizado selecionado, usando os números que de fato aconteceram. Depois, volte a Cenários e marque "fechado até" esse mês — só o que está conferido contra o extrato.

O Realizado não é "o ano". É só o que já fechou — e a comparação sempre olha os dois lados no mesmo período.

Com um mês fechado, a tela Orçado × Realizado passa a mostrar a DRE linha a linha e o "desempenho até agora": no ritmo realizado, você bate o orçado do ano? Não edite o Orçado para fazer bater — ele é o plano, e o valor da comparação está nele ficar parado.

Passo oito

O primeiro parecer

Neste passo

Ligar o Conselheiro nos dados da empresa, gerar o parecer, e ler as seis seções — conferindo antes de levar à reunião.

Na tela de Empresa (o capítulo 1 do cadastro), ligue o Conselheiro — só depois de o cliente autorizar — e defina quem pode gerar e quem pode ler. Gerar envia os indicadores da empresa para um serviço de IA; nome de pessoa e documento não saem, as pessoas aparecem pelo cargo.

Na tela do Conselho, gere o parecer. Ele cruza o financeiro, o mapa e a execução e escreve seis seções: Desde a última vez, A leitura, O que eu cobraria nesta reunião, As perguntas que ninguém está fazendo, Os próximos 90 dias, O que eu não consigo saber daqui.

Confira os "números a conferir" antes da reunião

Um verificador checa cada número citado no texto contra os dados. Os que não batem aparecem destacados no topo. Não é erro de cálculo do sistema — é a IA tendo citado um número que o verificador não encontrou. Trate o parecer como rascunho até bater o olho nesses.

Cada ação dos próximos 90 dias tem um botão que abre a tela de OKR com o texto no formulário — vira Key Result do ciclo, com dono e prazo. É sugestão; quem salva é gente. Na Aurora, o Conselheiro acerta os sete problemas plantados: a erosão de margem escondida no percentual de lucro, o ciclo de caixa, a concentração no Corporativo, o objetivo de preço sem execução e a filial que ninguém amarrou ao mapa.
Passo nove

O ritmo daqui para a frente

Neste passo

O ciclo mensal que mantém tudo vivo. O cadastro pesado foi uma vez; o que se repete é curto.

Todo mêsOnde
Lançar o realizado do mês e marcar o mês como fechadoCadastros (cenário Realizado) · Cenários
Ler o Orçado × Realizado e o ComparativoOrçado × Realizado · Comparativo de Cenários
Pedir o parecer da nova competência e conferirConselho
Revisar o ciclo de OKR — progresso contra o tempo, confiança de cada KRCiclos de OKR
Atualizar tarefas e prazosO que está acontecendo · Projetos · Agenda
A primeira volta é a difícil. Da segunda em diante, o trabalho do mês é lançar um mês, ler dois relatórios e revisar um punhado de tarefas.
Quando o horizonte do plano estratégico virar, o planejamento do ano seguinte é a hora de revisar o Orçado, os objetivos e as metas — de propósito, e não num remendo mês a mês.
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