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Planejamento & Análise Empresarial · Parte 1

Olhar a Própria Empresa

Os conceitos que um CEO de multinacional usa para decidir, explicados para quem toca uma empresa de verdade — sem contabilês, e com o nome técnico vindo só depois que a coisa já fizer sentido.

Capítulo um

Por onde se olha uma empresa

A cena

Segunda-feira de manhã. Você abre o relatório que o contador mandou e a primeira linha diz: faturamento do mês, R$ 1.398.500. Melhor que o mês passado.

Você fecha o arquivo com a sensação de que está indo bem.

É o erro mais comum, e ele não é burrice — é o que todo mundo ensinou a fazer. Faturamento é o número que aparece primeiro, o que a gente sabe de cor, o que se comemora.

Só que faturamento sozinho não responde nada. Ele diz quanto entrou pela porta. Não diz quanto sobrou, nem se sobrou, nem se vai ter dinheiro em novembro.

Existe uma ordem para olhar, e ela é de baixo para cima — do resultado para a causa, e não da venda para a esperança.

1. Dá lucro?o resultado
2. Se não dá, onde escapa?a margem
3. Tem dinheiro em caixa?o fôlego
4. Vale a pena o dinheiro estar aqui?o retorno
5. Para onde a empresa vai?a estratégia
6. Quem está fazendo isso acontecer?a execução

Repare que faturamento não é nenhuma das seis. Ele é um ingrediente da primeira, e só.

Empresa que fatura muito e não dá lucro não tem problema de venda. Tem problema de gestão — e o remédio é outro.

Isso muda a decisão. Se o problema é venda, você contrata vendedor e investe em marketing. Se o problema é gestão, contratar vendedor acelera o prejuízo: cada venda nova sai com a mesma margem errada.

No sistema: o Painel abre com seis números no topo, e a primeira linha deles são exatamente as três primeiras perguntas — lucro, caixa e retorno. A segunda linha traz o detalhe que as sustenta, e é ali que o faturamento aparece.

Não é acaso: a tela foi montada nessa ordem para a primeira coisa que você vê ser a primeira pergunta certa.
Capítulo dois

Faturamento não é dinheiro

A cena

Você vendeu R$ 100.000 no mês. Pergunta simples: quanto disso é seu?

Entre o que o cliente paga e o que sobra para você, existem quatro peneiras. Cada uma tira um pedaço, e cada uma tem um dono diferente na empresa. É por isso que vale separar — porque cada peneira se conserta de um jeito.

Você vendeuR$ 100.000
Governo (imposto sobre a venda)− R$ 25.650
O que a coisa custou para existir− R$ 46.000
A estrutura (aluguel, folha, contador)− R$ 21.000
O banco (juros)− R$ 4.200
Sobrou para vocêR$ 3.150

Três mil e cento e cinquenta reais. De cem mil. E este exemplo é de uma empresa saudável.

É por isso que o dono que só olha faturamento vive assustado: ele comemora os cem mil e depois não entende por que a conta não fecha.

As quatro peneiras, e o que cada uma te diz

Depois do custo do produto — sobrou dinheiro suficiente em cada venda? Se esta apertar, o problema é preço ou é fornecedor. Não adianta cortar cafezinho.

Depois da estrutura — a empresa se paga com o que vende? Se esta apertar e a de cima estiver boa, você está com estrutura grande demais para o tamanho da operação.

Depois do banco — sobra depois de pagar juros? Se esta é a única ruim, o problema não é a operação: é a dívida.

No fim de tudo — o que efetivamente sobrou.

Isso tem nome
As quatro são chamadas de margem bruta, margem operacional, margem antes do imposto e margem líquida. Vale conhecer os nomes — é como o banco e o contador falam, e você não vai querer ser o único na mesa sem o vocabulário. Mas o que decide são as quatro perguntas, não os quatro nomes.
Sinal de alerta
Se a primeira peneira aperta e a última melhora ao mesmo tempo, cuidado: isso costuma ser crescimento escondendo erosão. O capítulo três é sobre exatamente isso, e é a armadilha mais cara deste livro.
Capítulo três

Onde a margem escapa sem ninguém ver

A cena

Janeiro: você vende uma cozinha por R$ 30.000 e o material custa R$ 18.700. Sobra 37,6%.

Julho: você vende a mesma cozinha pelos mesmos R$ 30.000. O MDF subiu três vezes no meio do caminho e agora o material custa R$ 21.500. Sobra 28,4%.

Ninguém decidiu nada. Ninguém errou nada. E você perdeu nove pontos.

Essa é a perda mais comum e a mais silenciosa, porque ela não aparece em lugar nenhum como decisão. Ela acontece por omissão — o custo subiu e o preço ficou parado.

E o motivo de o preço ficar parado quase nunca é preguiça. É medo. Medo de perder o cliente para o concorrente. Todo dono já sentiu isso, e o medo é legítimo.

O problema é que o medo decide sozinho, sem número. Ninguém nunca pôs lado a lado quanto custa repassar e quanto custa não repassar.

O atraso em repassar preço tem preço. Ele só não tem fatura.

Por que o lucro pode melhorar enquanto isso acontece

Aqui está a armadilha, e é ela que engana empresário experiente.

Enquanto a margem de cada venda cai, a empresa cresce. Vende mais. E o aluguel, a folha da administração e o contador continuam custando o mesmo — agora divididos por um faturamento maior.

Resultado: a primeira peneira aperta e a última afrouxa. Você olha o lucro final, vê que melhorou, e conclui que está tudo bem.

Está, enquanto crescer. No dia em que o crescimento parar — e ele para — a erosão aparece inteira, de uma vez.

No sistema: o Painel mostra as quatro margens no mesmo gráfico, mês a mês. Quando uma linha desce e a outra sobe, você vê a tesoura se abrindo antes de ela cortar. E na tela de Produtos dá para ver qual insumo subiu e quanto ele pesa em cada produto.
Pergunta que vale a reunião
Quantos dias se passam, na sua empresa, entre o fornecedor subir o preço e você repassar? Se você não sabe responder com número, essa é provavelmente a sua maior perda — e a mais barata de consertar.
Capítulo quatro

Dá lucro e não tem dinheiro na conta

A cena

O contador diz que a empresa deu lucro. Você olha o extrato e não tem dinheiro. Alguém está mentindo?

Ninguém. Lucro e dinheiro são coisas diferentes.

Vamos seguir uma venda, do começo ao fim, e o problema fica óbvio.

Você compra o MDF1º de dezembro
Paga o fornecedor (34 dias)4 de janeiro
Produz e entrega18 de fevereiro
O cliente paga a última parcela10 de maio
Dias com o seu dinheiro na rua126 dias

Nesses 126 dias o dinheiro saiu do seu bolso. Você financiou o seu cliente, de graça, por quatro meses.

Agora multiplique por todas as vendas do mês. Depois pelo mês seguinte. É um buraco que fica permanentemente aberto — e que cresce quando você vende mais.

Vender mais consome caixa antes de devolver. É por isso que empresa cresce e quebra.

Essa frase parece contraditória e não é. Cada venda nova exige comprar material antes, pagar fornecedor antes, e esperar o cliente. Quanto mais você vende, maior o buraco. Aí aparece o empréstimo de capital de giro — e a empresa passa a pagar juros para financiar o próprio crescimento.

Isso tem nome
O buraco se chama Necessidade de Capital de Giro, ou NCG. Os 126 dias se chamam ciclo financeiro. São dois números que o gerente do banco entende na hora — e chegar na agência sabendo os seus muda completamente a conversa sobre taxa.

As três alavancas, e só existem três

Receber mais rápido. Cada dia a menos no prazo do cliente é dinheiro que volta antes. É a mais rápida de mexer e a que mais dói no comercial.

Pagar mais devagar. Negociar prazo com fornecedor. De graça, se você tiver relação.

Girar o estoque mais rápido. Material parado é dinheiro seu dormindo no galpão.

A armadilha da maquininha

A cena

— Comigo isso não acontece. Eu vendo no cartão e antecipo tudo. Recebo no dia seguinte.

É a frase mais comum do varejo brasileiro, e ela esconde a conta mais cara que a empresa paga.

Quando você antecipa, o seu cliente continua pagando em dez vezes. Nada mudou para ele. O que mudou foi quem banca a espera: era você, agora é a adquirente. E ela cobra por isso.

Antecipar não encurta o ciclo. Terceiriza o ciclo — e cobra juros.

O ciclo continua exatamente do mesmo tamanho. A diferença é que agora ele tem uma fatura mensal, e você a paga sem nunca ver.

Uma cozinha de R$ 30.000 em dez vezes no cartão, com antecipação de tudo:

VendaR$ 30.000
Taxa da maquininha (3%)− R$ 900
Antecipação das 10 parcelas (1,8% ao mês)− R$ 2.970
Custo de receber "à vista"R$ 3.870  ·  12,9%

Doze vírgula nove por cento da venda. Se a sua margem depois do custo do produto é 37%, um terço dela foi embora antes de qualquer outra despesa.

Por que ninguém enxerga

Porque esse custo nunca chega como juros. Ele chega como um depósito menor. Você vendeu trinta mil e caiu vinte e seis; a diferença vira "taxa de cartão" na cabeça do dono, junto com aquele 3% que todo mundo já aceitou como parte do negócio.

Juros que aparecem no extrato do banco a gente negocia. Juros que chegam descontados na hora, ninguém nem chama de juros.

E tem o efeito que fecha o círculo: quanto mais você vende, mais antecipa, e mais paga. É a mesma armadilha do começo deste capítulo, com uma fatura em cima.

Isso tem nome
A taxa da maquininha chama-se MDR. O juro de receber antes chama-se taxa de antecipação, e é uma operação de crédito — a mesma natureza de um empréstimo, só que sem contrato e sem você comparar com nada.

Some as duas e você tem o seu custo real de vender no cartão. Muita PME descobre que ele é maior que o juro do capital de giro que ela recusou pegar no banco por achar caro.
O que fazer com isso
Antecipar não é errado — às vezes é a única saída, e é melhor que não ter caixa. Errado é antecipar sem saber o preço. Levante quanto você pagou de antecipação nos últimos doze meses, some com o MDR, e divida pelo faturamento. Esse número, em quase toda empresa que faz isso, surpreende o dono — e ele é negociável com a adquirente, como qualquer taxa.
No sistema: os três prazos são campos que você preenche em Premissas, e o Fluxo de Caixa recalcula sozinho. No Simulador dá para testar: "e se eu receber em 60 dias em vez de 78?" — e ver o efeito no caixa antes de brigar com o comercial por causa disso.
Sinal de alerta
Se o saldo de caixa está sempre no mesmo piso, mês após mês, isso não é estabilidade. É a empresa vivendo no limite do empréstimo: tudo que entra já está comprometido antes de chegar.
Capítulo cinco

A sua empresa paga mais que o banco?

A cena

Some tudo que está preso dentro da sua empresa: a máquina, o galpão, o estoque, o que os clientes ainda devem. Digamos R$ 4 milhões.

Se esse dinheiro estivesse numa aplicação, renderia uns 11% ao ano sem você levantar da cama, sem funcionário, sem cliente reclamando e sem fiscalização.

A empresa devolve mais que isso?

Essa é a pergunta que separa ter uma empresa de ter um emprego que dá muito trabalho. E quase nenhum sistema faz essa pergunta, porque ela não é de contabilidade — é do dono.

Se a empresa devolve 1% ao ano sobre o que está preso dentro dela, e o dinheiro renderia 11% parado, você está trabalhando de graça. Pior: trabalhando de graça e correndo risco.

Empresa pode dar lucro no papel e mesmo assim estar destruindo o patrimônio do dono.

Isso soa estranho e é matemática simples. Lucro contábil de R$ 41.830 num capital de R$ 4 milhões é 1%. Se o custo desse dinheiro é 11%, a diferença de dez pontos é o que você deixou de ganhar por manter tudo ali dentro.

Isso tem nome
O que a empresa devolve chama-se ROIC. O que o dinheiro custaria fora chama-se WACC. A diferença entre os dois é o spread, e o valor em reais dessa diferença é o EVA.

Guarde os nomes porque investidor, banco e comprador de empresa falam assim. Mas nenhum deles muda a pergunta, que continua sendo: sua empresa paga mais que o banco?

Por que isso não é preciosismo

Três momentos em que esse número decide a sua vida:

Quando você pensa em investir. Comprar máquina, abrir filial. Se a empresa já rende menos que a poupança, colocar mais dinheiro dentro dela aumenta o problema, não a solução.

Quando você pensa em pegar dinheiro emprestado. Se o banco cobra 2,6% ao mês e a empresa rende 1% ao ano, a dívida está ampliando o buraco — não financiando crescimento.

Quando alguém quiser comprar a sua empresa. É por esse número que ela vai ser avaliada, não pelo faturamento que você conta na churrascaria.

No sistema: o painel do acionista mostra os três juntos, mês a mês. Quando o retorno fica abaixo do custo do dinheiro, a barra fica vermelha — e é o único lugar do sistema onde a pergunta é feita do ponto de vista de quem é dono, e não de quem administra.
Capítulo seis

O plano e a realidade, lado a lado

A cena

Em dezembro você montou o plano do ano. Em agosto, alguém pergunta se está indo bem.

Onde está aquele plano? Alguém abriu ele desde então?

Orçamento que fica na gaveta é adivinhação com data. O que transforma plano em ferramenta de gestão é uma coisa só: comparar todo mês.

Não é sobre acertar a previsão. Ninguém acerta. É sobre a diferença aparecer cedo, quando ainda cabe reagir.

Um mês fora do plano é ruído. Três meses na mesma direção é tendência — e tendência ignorada por seis meses vira o buraco que ninguém entende de onde veio.

A diferença entre o que você planejou e o que aconteceu é a informação mais barata que a sua empresa produz.

Barata porque não custa nada gerar: os dois números já existem. Só precisam ficar na mesma tela.

Como ler a diferença

Vendeu mais que o plano e lucrou menos? O problema é preço ou custo — não é comercial. Essa leitura sozinha já muda a reunião de segunda-feira.

Vendeu como o plano e lucrou menos? Alguma coisa ficou mais cara, e o sistema mostra o quê.

Vendeu menos e lucrou como o plano? Você está com margem melhor do que imaginava — e talvez esteja com medo de subir preço sem motivo.

No sistema: a tela de Orçado × Realizado põe as duas colunas lado a lado, com a diferença calculada. Você lança o mês fechado e ela se atualiza — e é essa tela que alimenta o Parecer do Conselheiro.
O erro mais comum
Lançar o realizado só quando sobra tempo. Três meses atrasado, o sistema vira histórico — e histórico não muda decisão nenhuma. Lançar o mês fechado leva minutos; é o hábito que faz todo o resto funcionar.
Capítulo sete

Para onde a empresa está indo

A cena

Pergunte a três pessoas da sua empresa qual é a prioridade do ano.

Se vierem três respostas diferentes, não é falta de alinhamento. É falta de um lugar onde a resposta esteja escrita.

Todo dono tem estratégia. Ela está na cabeça dele, e costuma estar certa. O problema é que cabeça não delega: o que está lá dentro não vira tarefa de ninguém.

Escrever a estratégia resolve metade. A outra metade é escrever de um jeito que mostre o que causa o quê.

Quatro andares, e a ordem importa

Dinheiro. O que você quer que aconteça com lucro, margem e caixa. É o topo — mas é resultado, e resultado ninguém faz direto.

Cliente. O que precisa ser verdade para o cliente para o dinheiro acontecer. Ele volta? Indica? Paga mais por quê?

Processo. O que a empresa precisa fazer bem por dentro para o cliente sentir aquilo.

Gente e ferramenta. Que competência e que sistema precisam existir para o processo funcionar. É a base — e é onde quase ninguém investe, porque é o andar mais longe do dinheiro.

Ninguém acorda e “faz lucro”. Faz-se a base, e o lucro é a consequência três andares acima.

É por isso que a ordem é de baixo para cima também aqui — a mesma lógica do capítulo um, aplicada ao futuro em vez do passado.

Isso tem nome
Os quatro andares se chamam perspectivas, e o desenho todo é o Mapa Estratégico do Balanced Scorecard — método de Kaplan e Norton, dos anos 90, usado por praticamente toda multinacional.

Não é moda nem teoria de MBA: é a maneira mais testada de mostrar que uma coisa causa a outra. O que costuma faltar na PME não é o método — é alguém para conduzir e um lugar para ele morar.
No sistema: você cadastra os objetivos e o mapa se desenha sozinho, com as setas de causa e efeito. Cada objetivo ganha um indicador com meta — e um objetivo sem indicador o sistema aponta, porque objetivo que ninguém mede é frase de parede.
Capítulo oito

O que a gente faz nos próximos noventa dias

A cena

O mapa está pronto, bonito, aprovado. Diz onde a empresa quer estar em três anos.

E aí é segunda-feira. O que a equipe faz hoje?

Essa é a distância que mata planejamento estratégico. Não é que o plano esteja errado — é que ele é grande demais para virar ação.

Três anos ninguém consegue enxergar. Noventa dias, sim. Um trimestre é curto o bastante para caber na cabeça e longo o bastante para mudar algo de verdade.

Então, a cada trimestre, você escolhe: dos objetivos do mapa, quais a empresa vai atacar agora? E o que exatamente precisa sair do lugar nesses noventa dias?

O que faz isso funcionar, e é só isto

Poucos. Três, no máximo quatro. Seis prioridades é nenhuma prioridade — é uma lista de desejos com data.

De onde para onde. Não "melhorar a margem". Sair de 28,4% e chegar a 34%. Sem os dois números não dá para saber se aconteceu.

Nome de gente. Não o departamento — a pessoa. Meta de área é meta de ninguém.

Confiança dita em voz alta. Toda semana, quem assumiu diz de zero a dez quanto acredita que vai bater. Um 3 em setembro é uma conversa; a mesma meta descoberta vermelha em dezembro é um problema.

Isso tem nome
Chama-se OKR — objetivo com resultados-chave. É o método que o Google usa e que virou padrão em empresa de tecnologia.

Uma coisa importante: no nosso sistema o "objetivo" do OKR é o mesmo objetivo do mapa. Não existem duas listas. Duas árvores paralelas de objetivo é exatamente como esse método vira burocracia desconectada.
Sinal de alerta
Meta de trimestre sem nenhuma tarefa apontando para ela é compromisso que ninguém está cumprindo. Não é falta de vontade — é falta de execução, e o sistema aponta isso sozinho.
Capítulo nove

Por que isso só funciona junto

A cena

A margem caiu sete pontos no ano. No mapa estratégico existe um objetivo escrito: "reajustar preço na cadência do custo".

Alguém já sabia. Está no papel desde janeiro. E não tem projeto, não tem tarefa, não tem ninguém.

Esse é o caso real que resume este livro inteiro. Três informações verdadeiras, cada uma numa tela diferente, e nenhuma delas sozinha parece problema:

A margem caiu — o financeiro sabe. Existe um objetivo para isso — o planejamento sabe. Ninguém está trabalhando nele — a equipe sabe.

Juntas, elas contam uma história inteira. Separadas, não contam nada.

O valor não está em cada número. Está em ver os três ao mesmo tempo.

É por isso que planilha não resolve, e nem ERP, nem BI. Não é questão de serem ruins — cada um faz bem o seu pedaço. O que falta é a costura: o número ligado ao objetivo, o objetivo ligado à tarefa, e a tarefa ligada a uma pessoa com nome.

O que muda quando está tudo costurado

A reunião muda de assunto. Para de ser sobre quem tem razão e passa a ser sobre qual cenário a empresa escolhe.

A cobrança deixa de ser pessoal. Não é "você não fez" — é "este objetivo está sem dono há sete meses". Sai a caça às bruxas, entra a conversa.

O problema aparece antes de virar tamanho. Que é a única vantagem que a PME pode ter sobre a empresa grande: ela consegue virar o barco rápido — se souber a tempo.

No sistema: é a tela de Alinhamento, e é o Parecer do Conselheiro. Os dois fazem a mesma pergunta por caminhos diferentes: o que a empresa diz que quer bate com o que ela está fazendo, e com o que está acontecendo com o dinheiro?
Isto é o que um CEO de multinacional tem à mão. A diferença é que ele precisa de um andar de gente para produzir — e você precisa de um hábito mensal.
Para levar

O que fazer com isto

Se você leu até aqui e só guardar uma coisa, que seja a ordem de olhar: lucro, margem, caixa, retorno, estratégia, execução. Faturamento não abre a lista.

E se guardar duas, que a segunda seja esta: os números não servem para julgar o passado. Servem para mudar a decisão de segunda-feira.

A Parte 2 é a prática: tela por tela, campo por campo — o que é, de onde vem cada número, e o erro que quase todo mundo comete na primeira vez.

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